R.B. 2/JUN/09 "Ainda é possível exportar"

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R.B.

"Ainda é possível exportar"

São Paulo, 2 de junho de 2009 (TERÇA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve cair, ''finalmente'' realizando lucros após subir por 3 pregões consecutivos e atingir o maior patamar desde 2/SET/08, acompanhando o movimento descendente das demais bolsas mundiais e as previsões de retração da economia brasileira em 2009.
- O DÓLAR pode subir, também em um ''ajuste técnico'' após 7 pregões consecutivos de queda, acompanhando a provável realização de lucros na Bovespa e pressionado por ''rumores'', até agora negados, de que o governo tomará medidas adicionais para conter a valorização do real.

ONTEM
- BOVESPA 2,4%, já abriu em alta e, acompanhando a valorização das bolsas mundiais, manteve a trajetória ascendente ao longo de todo pregão, para fechar no maior patamar desde 2/SET/08 (aos 54.486pts), diante das ''apostas'' de que a recuperação da economia dos EUA começa já em 2010.
- DÓLAR -0,9% à R$ 1,95, já abriu em queda e, desprezando o fato da cotação já ter desvalorizado quase 10% no mês passado, manteve a trajetória negativa ao longo de todo pregão, para fechar no menor patamar desde 1º/OUT/08, influenciado pelo forte recuo do risco-Brasil (-8,8%) e seguindo a melhora do ''humor'' nas principais bolsas do mundo.
- Na ÁSIA, iniciando bem a semana, JAPÃO 1,6%, no maior patamar em 8 meses, desta vez impulsionada pelos ganhos em ações ligadas ao setor de commodities, diante do anuncio de continuação do crescimento da atividade industrial da China em MAI/09, CHINA 3,4%, ''ajudando-se'' ao aumento do preço internacional do petróleo e das commodities metálicas na quinta e na sexta-feira, quando os mercados locais estiveram fechados devido a um feriado e CORÉIA 1,4%, com destaques de alta para as ações de corretoras, como Samsung Securities (4,3%) e Mirae Asset Securities (6,4%).
- Na EUROPA, acompanhando o ''humor positivo'' nas bolsas de NY e estimuladas pelos dados sobre a atividade industrial do Reino Unido e da zona do euro, que reforçaram as expectativas de recuperação da economia, INGLATERRA 2,0%, FRANÇA 3,1% e ALEMANHA 4,1%, impulsionadas principalmente pelo avanço dos papéis de bancos, como Société Générale (6,9%) e Santander (4,1%), e de empresas ligadas ao setor de commodities, como Rio Tinto (6,5%) e BHP Billiton (5,3%).
- Nos EUA, ignorando a declaração da maior concordata da história da indústria norte-americana, pela GM, S&P 2,6%, DJ 2,6% e NASDAQ 3,1%, impulsionadas por dados positivos relativos à economia local, como o maior aumento da renda desde MAI/08, o salto da taxa de poupança para o pico mais alto em 14 anos e o aumento de 0,8% no nível de gastos em construção civil.
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Economia:

Preocupado com o excesso de otimismo, Meirelles, presidente do BC, afirmou que o mercado internacional corre o risco de estar um pouco eufórico demais com o Brasil, que segundo ele, embora esteja bem nos fundamentos econômicos e vá sair fortalecido da crise, assim como a China, ainda está sujeito a turbulências pela frente, provavelmente referindo-se ao PIB do primeiro trimestre.

Corroborando com a opinião do governo brasileiro Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, afirmou que o futuro do Brasil dependerá da utilização de fontes renováveis de energia e da capacidade de exportar essa tecnologia sem descuidar da floresta amazônica, ressaltando que os biocombustíveis podem incluir o país no grupo dos países mais importantes do mundo.

O risco-Brasil, importante termômetro da confiança dos investidores estrangeiros no Brasil que já se aproximou dos 700pts durante o momento mais crítico da crise financeira, atualmente está próximo dos 270pts e segue trilhando um caminho decadente, colocando a economia brasileira com um risco-país muito abaixo da média dos emergentes, o que confirma as melhorias nos fundamentos macroeconômicos brasileiros.

Como o BC não conseguiu segurar a moeda norte-americana acima dos R$ 2,00, Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou que "ainda é possível exportar" com a moeda norte-americana a R$ 2,00, ressaltando que em 2008 o dólar chegou a recuar até a R$ 1,70 e mesmo assim o país bateu recorde de exportação e de movimentação comercial.

Dando novos sinais de recuperação da economia interna, em MAI/09 (1) as vendas de automóveis foram 5,8% melhores que ABR/09, 3,3% superiores a MAI/08 e, no acumulado do ano, 0,8% superiores ao mesmo período de 2008, (2) as consultas ao SCPC registraram alta de 8% sobre ABR/09 enquanto que as consultas ao SCPC/Cheque apresentaram elevação de 18% na mesma comparação e (3) 39,1% dos brasileiros tinham receio de perder o emprego em consequência da crise, contra 44,8% em ABR/09.

Como a queda das importações (-26,6%) permanece muito maior que o recuo das exportações (-22,2%), nos 4 primeiros meses de 2009 a balança comercial brasileira acumulou um superávit de US$ 9,4bi, resultado 10,4% maior que o registrado no mesmo período de 2008.

Dando mais uma prova de que a inflação está ''110%'' controlada, o que deve estimular o Copom a seguir cortando a Selic, o IPC de MAI/09 ficou em 0,33%, resultado ligeiramente abaixo das ''apostas do mercado'' (0,35%).
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Política:

Confirmando que a base aliada está cada dia mais desunida, ontem, um dia antes da instalação da CPI da Petrobras, o governo ainda tentava apagar um incêndio, já que o líder do PMDB, Renan Calheiros, quer indicar um peemedebista para a relatoria e outro para a presidência da Comissão.

Após a divulgação de pesquisas de intenção de voto para presidente em 2010 que mostram uma considerável diminuição na sua margem de liderança sobre Dilma, Serra, governador de SP, afirmou que é cedo para falar em campanha.

Mostrando que, ao menos em MG, para derrotar o PSDB de Aécio, o PT terá que dar espaço ao PMDB, segundo uma pesquisa recente o ministro peemedebista Hélio Costa, tem no mínimo 30% das intenções de voto e lidera em 3 de 4 cenários apurados.
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Crítica:

Como a população ''finalmente'' está compreendendo que ''não dá para colocar raposa para tomar conta de galinheiro'', começa hoje em SP a coleta de assinaturas de uma campanha cujo objetivo é enviar um projeto de lei de iniciativa popular ao Congresso que impeça a candidatura de políticos com "ficha suja" em todas as esferas de Poder.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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