R.B. 15/JAN/09 ''Pendenga injustificável e desnecessária''

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R.B.

"Pendenga injustificável e desnecessária"

São Paulo, 15 de janeiro de 2009 (QUINTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA pode seguir em queda, para fechar no menor patamar do ano, porem deve-se ressaltar que este será um ótimo patamar para compras, diante das perspectivas positivas para a posse de Obama e das ''apostas'' de corte de ao menos -0,5% da Selic na próxima reunião do Copom.
- O DÓLAR deve voltar à subir, acompanhando a piora do ''humor'' nas bolsas mundiais, porem deve-se ressaltar que a tendência ainda é de queda, diante das boas perspectivas para a economia brasileira, que crescerá, mesmo que pouco, enquanto os outros países então em recessão.

ONTEM
- BOVESPA -3,9%, já abriu em queda e, seguindo o 'humor negativo'' das demais bolsas do mundo, manteve a trajetória descendente ao longo de todo pregão, pressionada principalmente pelas ações dos 3 maiores bancos brasileiros, que são Itaú (-7,2%), Bradesco (-6,3%) e Banco do Brasil (-6,5%), diante da divulgação de novas noticias negativas de empresas do setor financeiro nos EUA.
- DÓLAR 0,8% à R$ 2,35, abriu em queda, para na mínima recuar -0,6%, porem, apesar dos leilões de venda do BC, passou a subir ainda na parte da manhã, influenciado pela elevação do risco-Brasil (4,3%) e acompanhando o ''humor negativo'' das bolsas mundiais.
- Na ÁSIA, tentando uma recuperação, JAPÃO 0,3%, sustentada pelas exportadoras, como Toshiba (6,1%) e Fujitsu (5,3%), diante da leve desvalorização da moeda local (o iene) frente ao dólar, CHINA 3,5%, diante das ''apostas'' de que o órgão regulador do mercado poderá adotar novas medidas para estimular as bolsas e CORÉIA 1,3%, com baixo volume de negócios e destaques de alta para as ações dos bancos, como Shinhan Financial Group (5,8%) e KB Financial Group (5,2%).
- Na EUROPA, seguindo o movimento negativo das bolsas de NY, INGLATERRA -4,9%, FRANÇA -4,6% e ALEMANHA -4,6%, prejudicadas pelo aumento dos receios em relação ao setor bancário, que causou uma forte queda das ações do setor, como Deutsche Bank (-9,0%), Barclays (-4,3%) e Santander (-7,7%), e pela fraca produção industrial na zona do euro.
- Nos EUA, mantendo a tendência de queda deste do início do dia, S&P -3,3%, DJ -2,9% e NASDAQ -3,7%, diante da deterioração das perspectivas econômicas após o anuncio de declínio acentuado nas vendas do varejo em DEZ/08 (-2,7%) e da queda acentuada das ações do banco Citigroup (-23,2%), depois do anúncio da divulgação antecipada de seus resultados anuais.
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Economia:

Tomando mais uma medida com o objetivo de ''driblar'' os efeitos da crise externa na economia interna, ontem Meirelles, presidente do BC, anunciou que destinará cerca de R$ 20bi das reservas internacionais para as empresas brasileiras que têm empréstimos vencendo no exterior, ressaltando o compromisso do governo brasileiro de repor o crédito internacional que foi cortado para todos os países.

Já prevendo uma redução da Selic e já afetadas pela redução da demanda por crédito, em DEZ/08 as taxas de juros para empréstimos à pessoas físicas no País caíram, pela primeira vez em 8 meses, de 7,61% para 7,49% ao mês. No caso das empresas, a taxa foi de 4,47% para 4,35% ao mês.

Como fruto das incertezas sobre a economia mundial, que causou um forte recuo na Bovespa, e da crescente credibilidade do governo brasileiro, em 2008 as vendas de títulos públicos para pessoas físicas por meio do Tesouro Direto, também estimuladas pelo elevado patamar da taxa real de juros, cresceram 102% na comparação com 2007.

Dando mais 2 sinais de desaceleração da economia brasileira, em DEZ/08 (1) o consumo de energia elétrica de 119 indústrias e empresas gerenciadas pela Comerc, vendedora de energia no mercado livre, caiu -18% na comparação com NOV/08 e (2) as vendas de veículos usados registraram uma queda de -11,08% também contra o mês anterior.

- A MMX caiu -9,3%, apos confirmar que suas operações em Corumbá ficarão suspensas por ao menos mais 2 meses e só serão retomadas quando o cenário econômico melhorar.
- A Friboi caiu -3,0%, mesmo após anunciar um programa de recompra de até 5,7% de suas ações ordinárias em circulação.
- A TAM caiu - 5,3%, após a Anac divulgar que sua participação no mercado caiu -2,6% em DEZ/08.
- A B2W caiu -4,7%, mesmo após anunciar seus planos de unificar as operações de seus 3 braços de vendas pela internet em seu novo Centro de Distribuição, o que pode representar uma economia de até -20% nos seus gastos com logística.
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Política:

Ainda copiando o PT da época do governo FHC, que reclamava e criticava todas as ações do governo Federal, o DEM, capitaneado por seu presidente Rodrigo Maia, quer que Mantega, ministro da Fazenda, preste esclarecimentos ao Congresso sobre a compra de parte do Banco Votorantim pelo BB e já acusou o governo Lula de fazer uma "negociação não-transparente".

Tornando as chances de Tião Viana, candidato petista e não do governo à presidência do senado, ontem o DEM declarou apoio à candidatura do peemedebista Sarney à presidência da Casa, ressaltando também que vai apoiar qualquer candidato do PMDB por causa do princípio da proporção.

Se esquecendo de que o PSDB criticou veementemente a compra do novo avião presidencial, a tucana Yeda Crusius, governadora do RS, anunciou, dias após implementar um forte ajuste fiscal com corte de gastos da máquina pública, que vai comprar um jato executivo para os seus deslocamentos, ressaltando que a compra da aeronave foi sugestão do presidente petista.
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Crítica:

Como não poderia ser diferente em um governo que quer eleger como sucessor de Lula uma ex-guerrilheira, Tarso Genro, o ministro da Justiça que queria julgar os militares envolvidos nas torturas na época da ditadura militar, causou uma ''pendenga injustificável e desnecessária'' com a Itália ao decidir conceder refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado por terrorismo em seu país.

Na véspera de mais uma visita do ''companheiro Lula'', que chega ao país no final do dia de hoje, a Assembléia Nacional venezuelana, totalmente controlada por Chavez, aprovou a proposta de emenda constitucional que permite reeleições presidenciais ilimitadas, o que aliás foi rejeitado em referendo popular no ano passado.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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