R.B.
1 de janeiro de 2025 (QUINTA-FEIRA).
"2025, o ano que a conta chegou"
O ano de 2025 começou com um breve sopro de esperança no cenário internacional. A volta de Trump à presidência dos Estados Unidos reacendeu, em parte do mundo, a defesa do livre mercado, da soberania nacional e da limitação do poder estatal. No Brasil, contudo, o movimento foi exatamente o oposto. Enquanto a inteligência artificial revolucionava economias, aumentava produtividade e reduzia custos globalmente, aqui passou a ser tratada prioritariamente como instrumento de vigilância, controle e manipulação narrativa, não como vetor de inovação.
Logo no início do ano, o governo tentou ampliar discretamente a fiscalização sobre o Pix por meio de norma da Receita Federal. A reação popular foi imediata. Ao perceber o risco de mais controle, tributação e perda de liberdade financeira, a sociedade reagiu e o governo recuou às pressas. O episódio expôs improviso, falta de transparência e, sobretudo, a profunda desconfiança da população em relação às intenções do Estado.
No campo político e institucional, 2025 aprofundou um processo de deterioração sem precedentes. Jair Bolsonaro foi transformado em refém institucional, impedido de falar, de se defender publicamente e de disputar espaço político, enquanto aliados eram sistematicamente perseguidos. O STF avançou para além de qualquer limite constitucional, acumulando funções legislativas, executivas e policiais. O resultado foi insegurança jurídica crônica, afastamento de investimentos e asfixia do debate público. Quando os justos se calam, os canalhas dominam a narrativa.
Na economia, o crescimento exibido ao longo do ano foi majoritariamente artificial. A atividade foi sustentada quase exclusivamente por expansão de gastos públicos, investimentos estatais e estímulos fiscais de curtíssimo prazo. Não houve avanço estrutural de produtividade, nem ambiente favorável ao investimento privado. Foi crescimento comprado com dívida pública, não construído com confiança.
O endividamento dos brasileiros, com nota zero de educação financeira, atingiu patamar alarmante. Cerca de metade das famílias tupiniquins já se encontram endividadas, enquanto o governo segue incentivando crédito irresponsável como paliativo econômico. Entre famílias com renda superior a dez salários mínimos, 12,8% já comprometem mais da metade da renda apenas para rolar dívidas, evidenciando que o problema avançou de forma agressiva sobre a classe média produtiva.
O descontrole fiscal deixou de ser risco e virou realidade. Em NOV/25, as contas do setor público consolidado registraram déficit primário de R$ 14,4bi, pior resultado para o mês na comparação anual. As estatais federais acumularam déficit de R$ 6,3bi entre JAN/25 e NOVA/25, o maior da série histórica para o período. Ao final de 2025, a dívida bruta se aproximou de 80% do PIB, enquanto já se projetava para 2026 a intenção de gastar até R$ 80bi fora do arcabouço fiscal, que está cada dia mais com cara de peça de ficção. Mais de R$ 1 tri por ano segue sendo drenado em juros pagos por quem trabalha e produz.
O ano também ficou marcado por um episódio grave para a credibilidade do sistema financeiro. O Supremo passou a questionar a atuação técnica do Banco Central na liquidação do Banco Master, levantando hipóteses de precipitação e até de reversão do processo. Uma simples sinalização dessa natureza é suficiente para gerar instabilidade, pois indica que decisões técnicas podem ser revistas por pressões políticas ou institucionais.
O quadro se agravou com informações de que a esposa de um ministro do STF teria recebido valores vultosos de um banco que, simultaneamente, mantinha tratativas junto ao próprio Banco Central. Soma se a isso o prazo concedido pelo TCU para que o BC explicasse a liquidação. Ainda que tudo venha a ser considerado formalmente legal, o dano institucional já está feito. A percepção de promiscuidade entre poder político, Judiciário e sistema financeiro corrói a confiança no Estado.
Instituições fortes não se sustentam com bastidores, telefonemas ou relações pessoais. Sustentam-se com transparência, critérios técnicos e tratamento isonômico. O cidadão comum, o pequeno empresário e o investidor não contam com esse tipo de proteção quando erram ou quebram. Essa assimetria destrói a credibilidade institucional e reforça a sensação de que no Brasil há regras diferentes para pessoas diferentes.
A desconfiança também avançou sobre os dados oficiais. A inflação divulgada foi suavizada por critérios estatísticos cada vez mais questionados, enquanto os números de desemprego passaram a mascarar a realidade de um país em que mais de 51 milhões de pessoas vivem de algum tipo de auxílio estatal. A fragilidade do mercado de trabalho real foi encoberta por estatísticas artificiais.
Na educação, o retrato foi devastador. Cerca de 80% dos jovens que saem da escola pública não sabem interpretar textos, escrever adequadamente ou realizar as 4 operações básicas da matemática. O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países, levando em conta desempenho acadêmico e qualidade de professores, segundo estudo encomendado à Economist Intelligence Unit. O colapso educacional passou a comprometer de forma estrutural a competitividade presente e futura do país.
Na segurança pública, o abandono foi explícito. O Brasil figurou entre os 10 países mais perigosos do mundo em 2025, segundo o índice de conflitos da ACLED. No RJ, o governador solicitou apoio federal 3 vezes para enfrentar o crime organizado e recebeu 3 negativas. Para proteger brasileiros, não houve ajuda. Para posar como estadista global na COP30, houve Exército, GLO, aparato e propaganda. Mesmo assim a imagem internacional saiu bastante “queimada”.
O escândalo do INSS coroou o ano. Fraudes bilionárias contra aposentados vieram à tona, mas a CPMI foi usada para blindar aliados e familiares do poder, como o filho e o irmão do presidente. A apuração foi seletiva, controlada e esvaziada.
No campo da soberania, o discurso patriótico contrastou com a prática. Enquanto o governo repetia que o Brasil é nosso, acordos com a China entregavam setores estratégicos. A venda de minas de níquel para a estatal chinesa MMG, mesmo diante de proposta europeia superior, simbolizou a liquidação silenciosa de ativos estratégicos.
Na economia real, pequenas e médias empresas quebraram aos milhares. O governo estimulou o ócio e puniu o trabalho e, para pagar a conta deste populismo , desde 2023 mais de 24 novos impostos foram criados ou ampliados.
O ambiente de negócios se deteriorou rapidamente. Cresceu o medo de confisco, controle de capitais e intervenções arbitrárias. A fuga de cérebros virou regra. Médicos, engenheiros, empreendedores e jovens qualificados passaram a deixar o país em busca de previsibilidade e liberdade.
Assim, 2025 não foi apenas o ano em que a conta chegou. Foi o ano em que ficou claro que o sistema está apodrecido por dentro. Instituições fragilizadas, regras instáveis, elite blindada e população sobrecarregada. Se nada mudar, 2026 não será apenas continuidade. Será aceleração.
"2026, a aceleração do colapso"
As projeções para 2026 partem da “premissa macabra" de que o atual presidente será “reeleito pelas urnas mágicas” em um ambiente de forte contestação social, suspeitas crescentes sobre o processo eleitoral e erosão quase total da confiança institucional. Um governo fragilizado politicamente tende a reagir como sempre reage. Gastando mais, controlando mais, censurando mais, perseguindo mais e tributando mais.
Por ser ano eleitoral, a pressão por gastos será ainda maior. O rombo das contas públicas tende a explodir, impulsionado por despesas fora do arcabouço, expansão de programas assistencialistas e uso político do orçamento. Para financiar esse descontrole, o caminho já conhecido será aprofundado. Mais impostos, novas bases de incidência e ampliação da arrecadação sobre quem ainda produz.
Medidas que atacam diretamente a produtividade já estão no radar. O fim da jornada 6 x 1, apresentado como avanço social, reduzirá competitividade das empresas em um ambiente já hostil ao trabalho e ao empreendedorismo. O custo recairá sobre preços, empregos e informalidade. Ao mesmo tempo, avança o controle estatal sobre a vida econômica. Em 2026, o país deverá conviver com maior fiscalização da movimentação financeira, inclusive de dinheiro em espécie, restringindo liberdades individuais e ampliando o poder do Estado sobre o cidadão comum.
No campo político, o sistema atua para viabilizar um candidato visto como conciliável e domesticável. Em contraposição, a indicação de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do enfrentamento ao sistema, carregando não apenas o sobrenome, mas o legado político que incomoda as estruturas estabelecidas. A disputa não será apenas eleitoral, mas entre acomodação e ruptura.
No campo fiscal, 2026 será marcado pela criação de novas camadas de tributação. Pessoas físicas e pequenos empreendedores que movimentam mais de 5 mil reais por mês passarão a ser alcançados pela sanha arrecadatória. Impostos sobre patrimônio ganharão espaço no discurso e na prática. Imóveis, aluguéis e rendas patrimoniais serão cada vez mais pressionados. Ambulantes e atividades informais serão enquadrados, reduzindo alternativas de sobrevivência fora do sistema.
A Reforma Tributária concentrará ainda mais poder e recursos em Brasília, enfraquecendo estados e municípios e destruindo o pacto federativo. A dependência do governo central aumentará, enquanto a autonomia local será corroída.
A nova tributação de dividendos e o Imposto Mínimo da Alta Renda alterarão de forma profunda o ambiente de negócios. Dividendos acima de R$ 50 mil mensais por CPF passarão a pagar 10% (e para investidores estrangeiros desde o primeiro real). Rendimentos anuais acima de R$ 1,2 milhões sofrerão carga mínima efetiva. O efeito será direto e previsível. Menos investimento, menos crescimento, mais estagnação e desemprego real.
A inflação efetiva continuará muito acima dos números oficiais, corroendo renda e consumo. Juros permanecerão elevados, o crédito seguirá caro e o investimento privado continuará retraído. O dólar tende a se valorizar diante da fuga de capitais, enquanto cresce a mudança de residência fiscal para países como Paraguai e Uruguai. Pesquisa recente indica que mais da metade dos brasileiros deseja deixar o país, um retrato claro da falência da expectativa de futuro.
O risco fiscal crescente abre espaço para medidas excepcionais. Aumento abrupto de IOF, restrições à saída de capitais e intensificação do monitoramento financeiro entram no campo do possível. O fim do Drex não representará alívio. O Pix se consolidará como instrumento de controle estatal cada vez mais sofisticado. O mercado financeiro seguirá retraído. Emissões de ações tendem a zero, a bolsa será pressionada e a confiança institucional seguirá em queda.
No plano cultural, o avanço do controle ideológico continuará. Filmes nacionais passarão a ter cotas obrigatórias nos cinemas, independentemente de demanda ou qualidade. A Lei Rouanet seguirá sendo utilizada como ferramenta de alinhamento político. Após atingir, pelo terceiro ano consecutivo, recorde próximo de R$ 2 bilhões em 2025, a tendência é de crescimento em 2026, aprofundando distorções e privilégios.
Na segurança pública, a criminalidade seguirá em trajetória de alta. Já apontada como a maior preocupação de mais de 60%, a violência continuará avançando diante da ausência de enfrentamento efetivo às facções e da leniência institucional. Grandes centros urbanos se tornarão ainda mais inseguros, afetando turismo, investimento, mobilidade e qualidade de vida.
Soma-se a esse quadro um risco adicional. A possibilidade de falta de água na Região Metropolitana de SP. As represas que abastecem a maior cidade do país operam com apenas 26,4% da capacidade. Um eventual colapso hídrico em 2026 teria impacto direto sobre a atividade econômica, a vida cotidiana e o humor social, agravando ainda mais um cenário já deteriorado.
Diante desse contexto, as apostas para o final de 2026 permanecem negativas. Bolsa pressionada, dólar alto, inflação persistente, baixo crescimento, fuga de cérebros e uma sociedade cada vez mais dependente do Estado. Proteção patrimonial, estratégia, internacionalização e diversificação deixam de ser opção e passam a ser necessidade.
A frase que sintetiza o Brasil se confirma mais uma vez. A única certeza é que JAN/26 será melhor que DEZ/26.
Indicador | ''Aposta do R.B.'' para 31/DEZ/26 |
Ibovespa | 80.000pts |
Dólar/Real | R$ 9,00 |
Juros - Selic | 15,0% |
PIB | -3,0% |
Inflação - IPCA | 10,0% |
Desemprego | 10,0% |
PAZ, amor e bons negócios;
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Fontes usadas neste RB>
https://www.santander.com.br/blog/governo-revoga-fiscalizacao-do-pix
https://www.migalhas.com.br/depeso/423584/monitoramento-do-pix-as-polemicas-envolvendo-a-in-rfb-2-219-24
https://www.camara.leg.br/noticias/1147641-projeto-define-como-pratica-abusiva-a-cobranca-de-qualquer-taxa-sobre-o-pix
https://tradingeconomics.com/brazil/government-debt-to-gdp
https://www.oecd.org/en/publications/oecd-economic-outlook-volume-2025-issue-2_9f653ca1-en/full-report/brazil_71db4eb2.html
https://www.worldbank.org/en/country/brazil/overview
https://www.bbvaresearch.com/en/publicaciones/brazil-economic-outlook-december-2025
https://tradingeconomics.com/brazil/indicators
https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/12/taxa-de-desemprego-no-trimestre-encerrado-em-novembro-e-de-5-2-a-menor-ja-registrada
https://www.poder360.com.br/poder-economia/taxa-de-desemprego-cai-para-52-a-menor-da-serie-historica
https://www.oecd.org/en/publications/education-at-a-glance-2025_1a3543e2-en/brazil_d42263a0-en.html
https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/acoes-internacionais/inep-lanca-no-brasil-o-relatorio-education-at-a-glance-2025-da-ocde
https://en.wikipedia.org/wiki/Basic_Education_Development_Index
https://pt.wikipedia.org/wiki/Assist%C3%AAncia_social_no_Brasil
https://acleddata.com
https://acleddata.com/conflict-index





