R.B. 20/FEV/18 "Divergindo do otimismo irracional com o Brasil"



"Divergindo do otimismo irracional com o Brasil"

São Paulo, 20 de fevereiro de 2018 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, influenciada pelo recuo das commodities e pelos crescentes sinais de que, como o governo já descartou a reforma da Previdência, outras agências de classificação de risco devem seguir a S&P e também rebaixar a “nota” do Brasil e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, rumo aos R$ 3,30, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim e cada dia mais influenciada pela tendência de alta dos juros nos EUA.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,3%, para fechar o dia ao 84.792pts, com pouca volatilidade e baixo volume de negócios por conta nos EUA, sustentada pela valorização internacional das commodities e com o “mercado” mostrando que gostou da “jogada” de Temer de focar na segurança pública, com a intervenção no RJ, para desviar a atenção da não aprovação da reforma da Previdência e (2) o DÓLAR subiu 0,3% à R$ 3,23, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e revelando também uma crescente cautela do investidor em relação ao cenário político doméstico.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, seguindo a recuperação dos mercados acionários de NY, Japão 1,9%, om a desvalorização da moeda local (iene) frente ao dólar beneficiando as exportadoras, como Nintendo (2,1%), Toyota (2,4%) e Mazda (2,3%) e China permaneceu fechada por conta do feriado do ano-novo lunar, (2) da EUROPA, em um dia de poucos negócios, Inglaterra -0,6%, França -0,5% e Alemanha -0,5%, prejudicadas por um movimento de cautela dos investidores ante das divulgação da ata do BC Europeu, que pode indicar que a referida autoridade monetária vai começar a reduzir neste ano seu programa de estímulos e (3) dos EUA, S&P, DJ e NASDAQ permaneceram fechadas por conta do feriado do Dia do Presidente.

Conforme já esperado pelo “mercado”, a decretação da intervenção federal no RJ, aprovada ontem pela Câmara, enterrou de vez a discussão em torno da reforma da Previdência, o que deve direcionar as atenções dos investidores a outras questões, como o cenário eleitoral.

Com um “otimismo cada dia mais irracional”, o “mercado” elevou novamente, desta vez de 2,70% para 2,80%, suas “apostas” para o crescimento da economia brasileira neste ano e reduziu, de 3,84% para 3,81%, suas previsões para a inflação medida pelo IPCA em 2018.

“Divergindo do otimismo irracional com o Brasil”, o Bank of America divulgou ontem um relatório alertando que, se nada for feito para reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública, a trajetória de piora da relação dívida/PIB vai prosseguir e superar em breve os 80% na maioria dos cenários traçados, causando assim inevitáveis reduções da “nota” do país pelas agências Moody's e a Fitch, seguindo o movimento já sabiamente feito em JAN/18 pela S&P.

Com uma base fraquíssima de comparação, já que o país passou 2 anos seguidos em recessão, em 2017 o Índice de Atividade Econômica do BC subiu 1,04% na comparação com 2016, impulsionado principalmente pela recuperação de 2,5% do setor industrial.

Fazendo “jogo de cena” para desviar a atenção do fracasso da reforma da Previdência, ontem o governo Temer apresentou uma lista de 15 pautas prioritárias para a área econômica no Congresso a serem tocadas ainda neste ano, porém 11 destas propostas já são projetos de lei que já tramitam no Congresso, como a reoneração da folha de pagamento, o novo cadastro positivo, uma regra para distrato de imóveis e a privatização da Eletrobras, e enfrentam bastante resistência de parlamentares.

Sem medo de comprar uma briga impopular, o que é o lado positivo de um governo com aprovação abaixo de 2 dígitos, Temer promoverá hoje uma reunião no Palácio do Planalto para discutir possíveis ações de comunicação em defesa do processo de privatização da Eletrobras, que ele pretende concluir ainda em 2018.

Indicando que, apesar das bravatas de corretores de imóveis e do baixo patamar da taxa básica de juros, a crise no setor continuará a se aprofundar, em JAN/18 o número de metros quadrados em construção no país caiu -15,5% na comparação com o mesmo período de 2017, atingindo assim o menor nível desde 2009, quando começou esta série histórica.

Oportunamente se apoiando na mentalidade socialista-tupiniquim de decidir pelo trabalhador, as empresas de previdência complementar propõem que funcionários sejam incluídos automaticamente em planos corporativos assim que forem admitidos por empresas.

Como quem conta com o ovo na cloaca da galinha, Meirelles, ministro tupiniquim da fazenda, afirmou ontem que sua pasta está discutindo, dentro do plano de recuperação fiscal do RJ, um novo empréstimo para o Estado, desta vez usando como “garantia” royalties futuros do petróleo que ainda está no pré-sal.

Com as exportações impulsionadas principalmente pelas vendas de produtos manufaturados (+62,7%), até o final da semana passada a balança comercial brasileira já acumulava um saldo positivo de US$ 27,3bi neste ano de 2018, resultado que é 18,1% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 5,1bi).

-    A Siemens subiu 0,5% na bolsa da Alemanha, depois que a empresa de tecnologia alemã anunciou que pretende abrir o capital de seus negócios da área de saúde ainda no primeiro semestre deste ano.
-    A montadora caiu -2,1% na bolsa da Alemanha, após o anúncio de que a empresa pode ter usado um software para ajudar alguns de seus veículos a passar em um teste de controle de emissão de poluentes nos EUA.

Política:

Conforme já era de se esperar, ontem Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, admitiu pela primeira vez que não conseguirá votar a reforma da Previdência e afirmou que a proposta está suspensa e que, na melhor das hipóteses, poderá ser retomada em NOV/18, após as eleições presidenciais.

Até outro dia aposentado, Pedro Parente, que está fazendo um excelente trabalho ao tirar a Petrobrás do atoleiro, é o atual “outsider” da política que desponta nas conversas sobre 2018, já que é visto como nome capaz de agradar parte do PSDB, do governo Temer, do mercado e da mídia.

Desconhecido da maioria da população, Márcio França, ex-deputado Federal, ex-prefeito de São Vicente e atual vice-governador de SP, deixou claro que será o candidato do PSB a governador, afirmou que não tem medo de disputar contra um nome do PSDB e convidou Russonanno para ser seu vice.

Agradando ainda mais o “mercado”, ontem o tucano Alckmin anunciou que terá o economista Persio Arida, que foi um dos pais do Plano Real, será o coordenador do programa econômico de sua provável campanha à Presidência.

Ontem, finalmente, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, decidiu afastar o deputado e agora também presidiário Paulo Maluf, do PP de SP, de seu mandato e já convocou o suplente Junji Abe, que aliás também é bandido, para assumir a vaga.

Depois da intervenção no Rio, a cúpula do DEM, coberta de razão, dá como certa a candidatura de Temer à reeleição, ressaltando que, ao se apropriar da pauta da segurança, o presidente abraçou parte importante do discurso de Bolsonaro.

Finalmente cedendo à pressão da opinião pública, o PTB anunciou que vai indicar um novo nome para o ministério do Trabalho, substituindo Cristiane Brasil, e estão no páreo os deputados Sérgio Moraes, Jorge Corte Leal e o ex-senador Wilson Santiago.

Além de enterrar a reforma da Previdência, ao intervir no RJ Temer também enterrou a proposta para acabar com o foro privilegiado, já que segundo a Constituição a votação de PECs fica suspensa durante uma intervenção federal.

Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de SP e favorito de Temer para assumir o Ministério da Segurança Pública, tem contra ele (1) o massacre do Carandiru, (2) importações superfaturadas de equipamentos de Israel no governo Quércia, (3) responde a ação de improbidade administrativa e (4) está com os bens bloqueados.

Otimistas ao extremo, em conversas com colegas do meio jurídico, advogados do ex-presidente Lula dizem ainda acreditar que a maioria do STF votará por conceder o habeas corpus a ele.

Crítica:

Com uma matriz energética cada dia mais sustentável, o Brasil ultrapassou o Canadá para se tornar em 2017 o oitavo país do mundo com maior capacidade instalada em usinas eólicas, com cerca de 12,8 gigawatts, em uma trajetória ascendente dos investimentos na fonte renovável que pode levar a um novo avanço no ranking neste ano.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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