R.B. 19/OUT/17 "Usando as moedas que tem para a clientela que possui"



"Usando as moedas que tem para a clientela que possui"

São Paulo, 19 de outubro de 2017 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais, prejudicada pelo recuo das commodities e pressionada pela redução das chances de aprovação da reforma da Previdência e (2) o DÓLAR pode subir, seguindo a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim e também influenciado pelas dúvidas em torno dos próximos passos da política monetária norte-americana.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,5%, tentando iniciar um movimento de recuperação após 2 pregões seguidos de queda, beneficiada pela alta dos preços do petróleo, seguindo o movimento ascendente das principais bolsas mundiais e influenciada pela avaliação de que a votação favorável à Aécio no Senado é um sinal de que Temer se livrará da nova denúncia contra ele na Câmara e (2) o DÓLAR subiu 0,2% à R$ 3,17, acompanhando a valorização internacional da moeda norte-americana, diante das especulações sobre quem poderá ser o novo presidente do FED (“BC” dos EUA).

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 0,1%, em alta pelo 12º pregão seguido e China 0,2%, com investidores evitando negócios em meio à abertura do 19º congresso do Partido Comunista, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,4%, França 0,4% e Alemanha 0,4%, impulsionadas pela divulgação de bons resultados corporativos, como o da Pearson (3,0%), e por declarações de Mario Draghi, presidente do BC Europeu, de que não acredita de que o relaxamento monetário impeça a realização de reformas nos países da zona do euro e (3) dos EUA, com os 3 índices registrando novas máximas históricas e com o DJ acima da marca dos 23.000pts pela primeira vez, S&P 0,1%, DJ 0,7% e NASDAQ 0,1%, com destaques de alta para as ações da IBM (8,9%), após divulgação de seu balanço, e das instituições financeiras, apoiadas por comentários do presidente Trump.

Mostrando mais uma vez que é “conversa fiada” o discurso do governo de que o país já saiu da crise, em AGO/17 o Índice de Atividade Econômica do BC, que é uma espécie de prévia do PIB, recuou -0,38% na comparação com JUL/17, patamar pior que o esperado pelo “mercado” (-0,15%) e o resultado mais fraco em 5 meses.

Segundo o birô de crédito Boa Vista SCPC, em SET/17 as vendas no varejo brasileiro, impulsionadas por cortes nas taxas de juros, inflação controlada e redução do nível do desemprego, registraram uma alta de 5,5% na comparação com SET/16, porem o resultado acumulado dos últimos 12 meses ainda é de queda, de -2,1%.

Com o objetivo de aumentar a arrecadação, Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil, “avisou” que o governo vai publicar, até o final de OUT/17, 3 medidas que impactam no Orçamento de 2018 (1) o adiamento do reajuste de servidores públicos, (2) o aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo, de 11% para 14%, e (3) a nova tributação de fundos de investimentos exclusivos.

Ressaltando, com toda a razão, que o corte de despesas do governo federal fica cada vez mais limitado por regras de desembolso obrigatório, Mansueto Almeida, secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, alertou que não haverá ajuste das contas públicas sem a reforma da Previdência e que a janela para a sua aprovação termina em NOV/17.

Apresentando um dado bastante positivo para o Brasil, já que o país é o principal comprador de produtos tupiniquins, a China divulgou ontem que sua economia cresceu 6,8% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, o que dá uma margem confortável para o governo atingir a sua meta no ano (6,5%).

Ineficiente, corrupto, quebrado e inexplicavelmente ainda monopolista, os Correios, contribuindo para o aumento da inflação, recebeu autorização do Ministério da Fazenda para reajustar, pela segunda vez no ano, as tarifas de serviços postais e telegráficos nacionais e internacionais.

Política:

Ontem à noite, conforme já se esperava, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, por 39 a 26, o relatório favorável à rejeição da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Temer, e agora, segundo Rodrigo Maia, presidente da Câmara, o assunto vai à plenário na quarta-feira da semana que vem.

Líder e fundador do PSDB, o senador tucano Tasso Jereissati defendeu ontem, coberto de razão, a renúncia definitiva de Aécio Neves à presidência do partido, ressaltando que seu colega mineiro "não tem condições" de permanecer no posto.

Repetindo o racha da votação da primeira denúncia contra o presidente da República, ontem, dos 8 votos que tem na a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o PSDB deu 5 votos contra e 3 a favor de Temer, sendo que todos estes últimos foram de parlamentares mineiros e comandados por Aécio.

Diante da perspectiva de superar com certa facilidade a segunda denúncia contra Temer, aliados do Planalto dizem que a prioridade agora deve ser pacificar a relação com o presidente da Câmara, o democrata Rodrigo Maia, que por sua vez tem evidenciado diariamente sua disposição para criticar integrantes e medidas do governo, o que inviabilizaria qualquer tentativa de retomada da pauta econômica.

Integrantes do centrão, principal bloco aliado, disseram a Temer que calculam, hoje, entre 210 e 220 votos a favor de sua permanência no cargo, número menor que o da primeira denúncia (227) e que é insuficiente para aprovar matérias importantes.

“Usando as moedas que tem para a clientela que possui”, o governo Temer, obviamente piorando e corrompendo ainda mais a máquina pública, vai liberar dezenas de cargos para deputados de partidos como PP, PR, PTB e PRB para conter ameaças de rebelião às vésperas da votação da segunda denúncia contra o presidente no plenário na Câmara.

Crítica:

Apenas ontem, quase 10 anos após “a vaca ir para o brejo”, o Tribunal de Contas da União responsabilizou o ex-ministro da Fazenda Mantega, o empresário Joesley e mais 14 gestores do BNDES, entre eles o ex-presidente da instituição Luciano Coutinho, por perdas em operação do banco com a JBS para a compra de participações nas empresas americanas Nacional Beef Packing e Smithfield Foods.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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