R.B. 28/NOV/16 "Para tirar o do Temer da reta"



R.B.
"Para tirar o do Temer da reta"

Paris, 28 de novembro de 2016 (SEGUNDA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, realizando lucros após avançar 2,7% na semana passada, 5,2% em NOV/16 e 42,0% no ano, pressionada pela piora do cenário político diante dos desdobramentos da saída de Geddel do governo e das revelações da delação premiada da Odebrecht, o que deve reduzir as chances de aprovação das reformas e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim e influenciado pelas expectativas de redução da Selic na reunião do Copom desta semana.

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,3%, revertendo uma abertura negativa, já que na mínima chegou a recuar -1,3%, beneficiada pela saída do ministro Geddel Vieira Lima do governo Temer e impulsionada pelo movimento ascendente das bolsas de NY e pelas expectativas de redução da Selic na reunião do Copom da última semana de NOV/16 e (2) o DÓLAR subiu 0,4% à R$ 3,41, para fechar em território positivo pelo quarto pregão seguido, ainda influenciado pelo aumento das “apostas” de alta dos juros nos EUA e de queda da Selic no Brasil.

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, nos maiores patamares em 10 meses, Japão 0,3% e China 0,6%, diante da melhora das perspectivas para a economia dos EUA e da valorização das commodities, (2) da EUROPA, com poucos negócios, Inglaterra 0,2%, França 0,2% e Alemanha 0,1%, com destaques de alta para as ações das empresas do setor de saúde, depois que a farmacêutica suíça Actelion divulgou uma declaração confirmando que a Johnson & Johnson fez contato para uma possível compra e (3) dos EUA, novamente batendo recordes históricos de alta, ainda por conta de expectativas de redução de impostos no governo Trump, S&P 0,4%, DJ 0,4% e NASDAQ 0,3%, desta vez impulsionadas principalmente pelas ações das empresas do setor de varejo, por conta de expectativas de bons resultados das vendas do Black Friday.

Indicando que os ingleses se abalaram pouco com a saída do país da União Europeia, no terceiro semestre deste ano as empresas britânicas elevaram seus investimentos em 0,9% na comparação com o trimestre anterior, patamar do esperado pelo “mercado” (0,60%), e no mesmo período a economia do país cresceu 0,5%, ajudada pela recuperação nas exportações, diante da desvalorização da moeda local frente ao euro e ao dólar, e pelos fortes gastos das famílias.

Na sexta-feira, no mesmo dia em que a bolsa de Tóquio fechou no maior patamar em 10 meses, o governo japonês afirmou que a economia do país está em recuperação moderada, porem também manifestou preocupação com os mercados financeiros, ressaltando que a eleição de Trump para presidente dos EUA e as negociações do Reino Unido para sair da União Europeia poderiam causar incerteza.

Os sinais de queda persistente da atividade econômica brasileira preocupam analistas, que temem que a recuperação no ano que vem seja mais fraca do que o esperado ou, num cenário extremo, nem se materialize, e isto se intensificou nas ultimas semanas com a divulgação de dados mais fracos que o esperado referentes ao terceiro trimestre.

Pressionado por empresários a adotar medidas para tirar a economia da recessão, o governo Temer vai analisar ações para fazer o que é chamado internamente de "travessia do deserto" até que o programa de concessões comece a dar resultados e, dentre as medidas prioritárias é a intensificação do ciclo de redução da taxa de juros, o que deve ocorrer na reunião do Copom desta semana.

“Turbinada” pela enxurrada de dinheiro oriundo das multas do programa de repatriação de recursos ilegais de brasileiros no exterior, em OUT/16 a arrecadação do governo federal com impostos somou R$ 148,7bi, o que representa o maior valor mensal da história e um crescimento real (retirado o efeito da inflação) de 33,15% na comparação com OUT/15, porem, sem estes recursos extras e não recorrentes, o total cairia para R$ 103,6bi, o que representaria o pior resultado para o mês desde OUT/07.

Apesar de Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, estar otimista e disser que a medida abrirá caminho para investimentos de ao menos R$ 15bi, empresas com negócios na área de infraestrutura começaram a se articular para sugerir ao Congresso mudanças na medida provisória editada pelo governo com regras para renegociar os contratos de concessões que enfrentam dificuldades financeiras.

Ajudando no controle da inflação, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira tarifária das contas de luz voltará a ser verde no Brasil em DEZ/16, após ficar amarela em NOV/16, citando uma situação mais favorável nos reservatórios das hidrelétricas e livrando assim os consumidores de cobranças adicionais.

Como qualquer economista com 2 neurônios sabe que só se gera riqueza com mais riqueza, como no ano passado a economia tupiniquim entrou em recessão, o rendimento mensal médio, já descontada a inflação, recuou 5,4%, de R$ 1.845 em 2014 para R$ 1.746 em 2015, já o índice GINE, que mede a desigualdade entre ricos e pobres do país, cedeu de 0,497 para 0,491 na mesma base de comparação.

Política:

“Para tirar o do Temer da reta”, o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, envolvido em acusações de tráfico de influência para liberar a obra de um prédio onde comprou um apartamento, em Salvador, pediu demissão do cargo na sexta-feira em um e-mail enviado ao presidente.

Finalmente falando algo produtivo, o ex-presidente FHC afirmou na sexta-feira, obviamente se referindo ao caso Geddel, que o governo Temer é frágil, mas ponderou que "é o que tem" e, perdendo a enésima oportunidade de ficar calado, completou ressaltando que entende como é difícil para um presidente ter que "dispensar um amigo".

Tentando se blindar das denuncias de atuar para impedir as investigações da Lava Jato e a punição dos corruptos, ontem o presidente Temer anunciou um acordo entre o Poder Executivo e o Legislativo para "impedir" a tramitação da proposta que prevê a anistia ao crime do caixa 2, articulada por parlamentares no Congresso Nacional, ressaltando que isto é uma forma de atender à chamada "voz das ruas".

Se aproximando do atual governador do RJ, a Justiça do RJ mandou intimar pessoalmente o governador do Estado Luiz Fernando Pezão, do PMDB, para que ele preste esclarecimentos em 48 horas sobre a isenção fiscal concedida a uma joalheria, já que seu governo descumpriu decisão liminar proferida pela 3ª Vara de Fazenda Pública, em 26/OUT/16, que congelava a concessão de isenções fiscais até que o Executivo apresentasse um estudo detalhado a respeito dos benefícios.

Nesta semana, enquanto se prepara para a importantíssima votação da PEC do teto dos gastos no Senado, o presidente Temer terá também que se ocupar de escolher um substituto para Geddel Vieira Lima no comando da Secretaria de Governo, pasta responsável pela articulação política junto ao Congresso Nacional.

Mostrando sua enorme cara de pau, 3 dias após 27 líderes da base de sustentação de Temer entregarem uma carta defendendo a permanência do ministro Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo, o líder do governo na Câmara, André Moura, do PSC do SE, disse que eles fizeram aquele gesto de apoio porque não conheciam "os fatos que estão surgindo".

Mostrando sua enorme fragilidade, o governo Temer, montado na base do fisiologismo, fora a equipe econômica, e sem técnicos de peso, perdeu por “desvios éticos”, em pouco mais de 6 meses no cargo, nada menos do que 6 ministros da equipe que assumiu ao lado dele a Esplanada, em MAI/16.

Crítica:

Enquanto o Brasil experimentou significativo crescimento na quantidade de crianças de 4 a 5 anos na escola nos últimos 8 anos, o cenário não se repetiu entre adolescentes de 15 e 17 anos, já que segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o acesso a frequência escolar nesse segmento específico no país está praticamente estagnado desde 2007.

Como o brasileiro segue sendo educado para arrumar um emprego publico e “colocar o burro na sombra”, nos 10 primeiros meses do ano, também por conta da alta do desemprego, a procura por cursos preparatórios para concursos públicos cresceu cerca de 30% na comparação com o mesmo período de 2015.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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