R.B. 10/ABR/15 "Vossas excelências ratazanas"


R.B.

"Vossas excelências ratazanas"

 

São Paulo, 10 de abril de 2015 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, para ampliar os ganhos acumulados no mês (5,2%) e fechar o dia acima dos 54.000pts, acompanhando a valorização das principais bolsas mundiais e beneficiada pela recuperação dos preços das commodities e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e ainda em um "ajuste técnico" após recuar em 7 dos 8 últimos pregões.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,3%, recuperando as perdas da abertura, quando na mínima recuou –0,7%, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais e com destaque de alta para as ações da Petrobrás (9,1%) e (2) o DÓLAR subiu 0,4% à R$ 3,07, em um "ajuste técnico" após 7 pregões consecutivos de queda, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e influenciado pela decisão da Fitch de rever a perspectiva da nota soberana do Brasil de neutra para negativa.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 0,7% (ainda no maior patamar em 15 anos) e China 0,9%, com destaques de alta para as exportadoras, diante da valorização do dólar frente às moedas locais, (2) da EUROPA, Inglaterra 1,1%, França 1,4% e Alemanha 1,1%, "animadas" pelas informações de que a Grécia cumpriu o prazo para pagamento ao FMI, o que aliviou os temores de calote e (3) dos EUA, S&P 0,4%, DJ 0,3% e NASDAQ 0,5%, com destaques de alta para as ações do setor de energia, como Transocean (3,8%), Diamond Offshore Drilling (4,2%) e General Electric (2,9%), acompanhando a recuperação dos preços do petróleo.

 

Apesar de alterar sua avaliação de perspectiva de estável para negativa, a agencia de classificação de risco Fitch manteve sua "nota" para o Brasil em BBB, ressaltando que isto é um "voto de confiança" de que o governo Dilma conseguirá aprovar e colocar em prática os ajustes fiscais propostos pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy.

 

Ressaltando que tem confiança de que o destino do país é ter "notas" cada vez mais altas, Joaquim Levy, o ministro da Fazenda, afirmou ontem que o governo está preparado para tomar "todas as medidas necessárias", como cumprir a meta de superávit primário, para evitar um rebaixamento na "nota" de crédito do país.

 

Como se fosse um membro da oposição, ontem Mangabeira Unger, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, afirmou que a política econômica dos últimos anos foi um "keynesianismo vulgar" que agravou os problemas do país, ressaltado que o Brasil não irá mais avançar com o modelo baseado na exportação de commodities e popularização do acesso ao consumo e que é preciso substituir o "nacional consumismo" por um projeto "produtivista e capacitador".

 

Dando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) em MAR/15 o Índice de Confiança do Empresário do Comércio atingiu o patamar mais baixo da série histórica, registrando uma queda de –5,0% na comparação com FEV/15, (2) as vendas de materiais de construção recuaram 05,4% em MAR/15 na comparação com MAR/14 e (3) a taxa média de desemprego do país no trimestre encerrado em FEV/15 ficou em 7,4%, patamar superior ao registrado no trimestre encerrado em JAN/15 (6,8%) e que representa o maior nível desde o trimestre de MAR/13 até MAI/13 (7,6%).

 

-     O Itaú caiu –2,0%, o Bradesco recuou -1,8% e o Banco do Brasil perdeu -3,7%, após o Credit Suisse rebaixar sua "nota" de recomendação para os referidos bancos e diante de "rumores" de que, em busca de recursos para reequilibrar as contas públicas, o governo Dilma deve aumentar em breve a tributação dos bancos.


Política:
 
Em uma sessão que teve a presença de ratos de verdade, que obviamente se comportaram bem melhor que as "vossas excelências ratazanas" que rapinam o dinheiro publico em Brasília, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, fez seu depoimento na CPI da Petrobras, que durou quase 8 horas, no qual, apesar de ter admitido conhecer os principais nomes envolvidos no esquema de corrupção da estatal, "garantiu" que todas as doações recebidas pelo seu partido foram legais e registradas na Justiça Eleitoral.
 
Se aproximando de abrir a "maior caixa preta" do governo petista, que certamente trará denuncias ainda maiores e mais graves do que na operação Lava Jato, ontem, com o apoio do PMDB, a presidenta Dilma sofreu uma nova derrota na Câmara dos Deputados já que, por 298 votos contra 95, o plenário da Casa aprovou uma emenda do PSDB a uma medida provisória derrubando o sigilo nos financiamentos do BNDES.

 

Em uma conversa de "ratazanas graúdas", que obviamente não teve a participação da "ratinha Dilma", o ex-presidente Lula e o vice-presidente Michel Temer se encontraram ontem em SP para distribuir, principalmente entre os seus partidos, os cargos do segundo escalão do governo.

 

Atuando como advogado dos interesses do Palácio do Planalto, ontem Rodrigo Janot, o procurador-geral da República, afirmou para um grupo de deputados da oposição que não encontrou elementos nas delações da Operação Lava Jato que justificassem a abertura de uma investigação sobre a presidenta Dilma.

 

Sem dar trégua para o governo, a oposição vai recomeçar a coleta de assinaturas para tentar instalar uma CPI no Senado para investigar irregularidades nos fundos de pensão, que aliás já foi uma vez arquivada depois que 5 senadores do PSB, inclusive o Romário, retiraram assinaturas do pedido de criação.

 

Colocando mais uma vez o PT em conflito com suas bases, ontem, em audiência pública no Congresso para discutir as Medidas Provisórias 664 e 665, que alteram a forma de concessão de determinados benefícios trabalhistas e previdenciários, os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa, e da Previdência, Carlos Gabas, afirmaram que programas como o abono salarial, o seguro-desemprego, a pensão por morte e o auxílio doença, do jeito que estão, vão se tornar insustentáveis ao longo do tempo.


Crítica:

 

"Penalizando e se aproveitando" da enorme falta de educação financeira dos brasileiros, em MAR/15 os juros que incidem sobre o rotativo do cartão de crédito, que é quando o consumidor deixa de pagar a fatura integral, atingiram estratosféricos 290,43% ao ano, o que representa o maior patamar desde ABR/99.

 

Fazendo um desserviço à população tupiniquim, que carece de educação financeira e está cada dia mais endividada, ontem o plenário da Câmara dos Deputados aprovou uma medida provisória que eleva, de 30% para 50% do salário, o limite de endividamento na obtenção de crédito consignado e, para piorar ainda mais, abre a possibilidade de amortizar débitos do cartão de crédito por meio de desconto na folha de pagamento.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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