R.B. 26/FEV/15 "Uma bomba maior que a do petrolão"


R.B.

"Uma bomba maior que a do petrolão"

 

São Paulo, 26 de fevereiro de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, ampliando a valorização acumulada no mês (10,5%) e no ano (3,6%), acompanhando a melhora do "humor" nas principais bolsas mundiais e beneficiada pela valorização das commodities e (2) o DÓLAR pode cair, devolvendo uma pequena parte da forte alta acumulada no mês (6,8%), acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e também a esperada melhora do "humor" na Bovespa.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –0,1%, pressionada pela forte queda das ações da Petrobrás, que recuou –4,8% diante do já esperado rebaixamento da sua "nota" para grau especulativo pela Moody's, porem com bom volume de negócios (R$ 8,8bi) e destaques de alta para as exportadoras, como Fibria (1,8%) e Suzano (1,7%) e (2) o DÓLAR subiu 1,2% à R$ 2,87, com o "mercado" avaliando que o rebaixamento da "nota" da estatal petrolífera pode ser mais uma razão para se posicionar em moeda estrangeira diante do aumento da aversão ao risco com a economia brasileira.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –0,1%, interrompendo uma sequência de 5 pregões de valorização, com destaques de queda para as exportadoras, como Daikin (-1,1%), TDK (-1,0%) e Toyota (-0,9%), prejudicadas pelo enfraquecimento do dólar ante o iene e CHINA –0,6%, em um movimento de cautela, antes da reunião do Congresso Nacional do Povo, previsto para começar na próxima semana, e após 1 semana de paralisação em razão das comemorações do Ano Novo Lunar, (2) da EUROPA, realizando lucros após 6 sessões seguidas de alta, Inglaterra –0,2%, França –0,1% e Alemanha –0,1%, influenciadas negativamente pela notícia do jornal alemão Reinische mostrando que parte dos parlamentares pode votar contra a extensão da dívida da Grécia na próxima sexta-feira e (3) dos EUA, próximas da estabilidade, S&P %, DJ % e NASDAQ %, divididas entre a divulgação de resultados corporativos piores do que o esperado, como o da HP (-9,9%) e anúncio de que em JAN/15 as vendas de casas novas no país cresceram 5,3% na comparação com JAN/14.

 

Agindo como uma "menina mimada" que está desacostumada a ser contrariada, Dilma, ao invés de resolver os inúmeros problemas existentes no Brasil, afirmou que o rebaixamento da "nota" da Petrobrás pela Moody's ocorreu por falta de conhecimento direito do que está acontecendo na estatal e decidiu fazer uma ofensiva junto às principais agências de classificação de risco para evitar que as mesmas sigam a trilha da Moody's e declarem a Petrobras empresa insegura para se investir.

 

Apesar dos esforços heroicos de Joaquim Levy, o novo ministro da Fazenda, de resgatar a credibilidade do governo junto ao "mercado", diante das constantes declarações estúpidas da presidenta Dilma é cada vez maior o ceticismo "mercado" com relação às promessas de ajuste fiscal, o que pode contaminar a avaliação de toda a dívida pública tupiniquim.

 

Sob o impacto da retração na indústria e no comércio, em JAN/15 a receita de impostos, taxas e contribuições caiu -5,4%, já descontada a inflação, ante o período correspondente do ano passado, o que confirma a já esperada paralisia econômica do Brasil, que é agravada diariamente por incertezas políticas e tensões sociais, dificultado o reequilíbrio do Orçamento da União.

 

Dando dois novos sinais negativos da economia brasileira, (1) em JAN/15 a liberação de novos financiamentos para compra de veículos por pessoas físicas recuou -23% em janeiro em relação a DEZ/14 e (2) em 2014 o volume de vendas de imóveis em SP foi –35% menor que em 2013 e com isto o estoque de imóveis residenciais na cidade encerrou o ano passado com 27.255 unidades, o que é o maior patamar número desde 2004.

 

Atendendo todas as demandas da categoria, e obviamente colocando a conta para o contribuinte pagar, ontem, após uma reunião de mais de 10 horas, o governo Dilma se comprometeu a (1) sancionar de forma integral a chamada Lei dos Caminhoneiros, que na prática reduz o valor do pedágio que pode ser cobrado dos caminhões e aumenta o número de horas extras que podem ser feitas, (2) renegociar as dívidas do setor e (3) garantir que os preços do diesel não subirão pelos próximos 6 meses.

 

Finalmente desburocratizando processos do século passado, que no caso vem bem a calhar diante do péssimo momento da economia brasileira, hoje o governo Dilma lançará um sistema nacional que vai permitir ao empresário fechar num só dia e num só balcão um negócio, sem a necessidade de apresentação de certidões negativas de débitos tributários, trabalhistas e previdenciários.


Política:
 
Tentando evitar que exploda no colo de Dilma "uma bomba maior que a do petrolão", Luciano Coutinho, presidente do BNDES, está procurando parlamentares da base aliada do governo para pedir que o Congresso barre a instalação de uma CPI para investigar contratos de financiamento feitos pelo referido banco de fomento durante as gestões do PT, como para a construção do porto em Cuba e para as centenas de aquisições feitas pela JBS Friboi.
 
Legislando em causa própria e aumentando consideravelmente os gastos públicos, ontem o comando da Câmara Federal aprovou um pacote de reajustes para os benefícios e mordomias dos "nobres" deputados que terá um impacto anual de R$ 150,3mi nos cofres da Casa.
 
Já se posicionando para assumir o poder caso avancem os pedidos de impeachment de Dilma, hoje, em  meio à crise de relacionamento com o Planalto, o PMDB, que em tese é o principal partido da base aliada, levará à TV um programa totalmente descolado do PT, ignorando a presidenta e inclusive dizendo que não são as "estrelas" que guiarão o partido e o país, mas serão as escolhas que apontarão caminhos.

 

Segundo o jornal britânico "Financial Times", os 10 motivos para acreditar que a presidenta Dilma sofrerá um impeachment são (1) a perda de apoio no Congresso, (2) os escândalo da Petrobras, (3)a queda na confiança do consumidor, (4) o aumento da inflação, (5)o aumento do desemprego, (6)a queda na confiança do investidor, (7) o crescente déficit orçamentário, (8) os problemas econômicos no geral, (9) a falta d'água e (10) os possíveis apagões elétricos.

 

Pressionado ainda mais um dos mais próximos ministros de Dilma, a Comissão de Ética da Presidência da República decidiu pedir informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre os encontros que ele teve neste mês com advogados de empreiteiras acusadas na ação gerada pela Operação Lava Jato, o que é uma reação a uma representação feita pelo PPS.

 

Apenas 2 dias depois do jantar que parecia ter selado o apoio ao pacote do ajuste fiscal do governo, o PMDB recuou algumas casas e vai esperar os parlamentares do PT se comprometerem com as medidas antes.


Crítica:
 
Ilustrando a enorme insegurança jurídica de uma empresa que tem a "ousadia" de distribuir seu produto no Brasil, o juiz Luiz de Moura Correia, do Piauí, determinou ontem o bloqueio do aplicativo WhatsApp para forçar a empresa dona do aplicativo a colaborar com investigações da polícia do Estado.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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