R.B. 14/SET/11 ''Não falta dinheiro, mas sim uma gestão competente''


R.B.

"Não falta dinheiro, mas sim uma gestão competente"

 

São Paulo, 14 de setembro de 2011 (QUARTA-FEIRA).


Mercados:

 

HOJE

-    A BOVESPA deve seguir em queda, mais uma vez rompendo o ''suporte'' dos 55.000pts e novamente acompanhando o ''humor negativo'' das demais bolsas mundiais, principalmente diante do rebaixamento da ''nota'' de 2 grandes bancos franceses.

-    O DÓLAR pode voltar a subir, para fechar em alta pelo décimo pregão consecutivo, ainda pressionado pelos leilões de compra do BC, pela tendência de queda da taxa de juros e pelos ''problemas no primeiro mundo''.

 

ONTEM

-    BOVESPA -0,2%, abriu em alta, para na máxima avançar 0,9% e, em um pregão marcado por uma boa volatilidade, já que na mínima chegou a recuar -0,7%, fechou com uma retração moderada, pressionada principalmente pelos papéis mais ligados à economia doméstica.

-    DÓLAR 0,3% à R$ 1,71, abriu em queda, para na mínima atingir R$ 1,70, porem, seguindo a instabilidade na Bovespa, passou a subir na parte da tarde, para fechar em território positivo pelo nono pregão consecutivo e no maior patamar desde DEZ/10, também pressionado pelos leilões de compra do BC.

-    Na ÁSIA, ainda sem uma tendência única, JAPÃO 1,0%, com os investidores recomprando ações de exportadoras específicas e de empresas ligadas ao setor de chips, uma vez que o euro se estabilizou na ausência de manchetes que mostrassem deterioração da crise da dívida soberana grega, CORÉIA não teve pregão por ser feriado e CHINA -1,1%, com destaques de queda para as imobiliárias, por conta das novas restrições do governo para a compra e venda de imóveis.

-    Na EUROPA, recuperando mais uma pequena parte das perdas recentes, INGLATERRA 0,9%, FRANÇA 1,4% e ALEMANHA 1,8%, após uma sessão volátil, com os papéis de bancos, como Société Générale (15,0%), BNP Paribas (7,2%), UniCredit (7,4%), Royal Bank of Scotland (5,3%) e Deutsche Bank (8,2%), recuperando parte das perdas do pregão anterior diante dos ''rumores'' de que a China poderia comprar títulos da dívida da Itália.

-    Nos EUA, após mais um pregão marcado pela volatilidade, S&P 0,9%, DJ 0,4% e NASDAQ 1,5%, com investidores comprando ações golpeadas nas últimas semanas, diante das ''apostas'', ou quem sabe das ''esperanças'', de que líderes europeus farão algo em breve para conter a crise da dívida grega.


Economia:
 
Pregando responsabilidade e empreendedorismo, Dilma afirmou que a crise econômica internacional não deve "atemorizar" o Brasil, ressaltando que o país enfrentará as turbulências mantendo o consumo e a produção, investindo em infraestrutura, plantando e colhendo, e assegurando às nossas indústrias o seu componente nacional.
 
Em uma atitude impensável poucos anos atrás, Mantega, ministro brasileiro da Fazenda, ''avisou'' que o Brasil deve discutir com outros países emergentes idéias para ajudar a Europa a sair da atual crise da dívida, inclusive com a elevação da participação de títulos em euros nas reservas internacionais desses países.
 
Certamente causando um desconforto, como ocorreu quando foi rebaixada a ''nota'' dos EUA, na manhã de hoje a agência de classificação de riscos Moody's anunciou o rebaixamento da sua ''nota'' para os bancos franceses Crédit Agricole e Société Générale, o primeiro por sua exposição à dívida grega e o segundo pelo dispositivo de ajuda pública ao sistema financeiro.
 
Dando novos e diversos sinais da solidez da economia interna, (1) até ontem (13/SET/11) os brasileiros já haviam desembolsado no ano R$ 1tri em tributos federais, estaduais e municipais, patamar que em 2010 só foi atingindo 35 dias depois, (2) Aldo Mendes, diretor de Política Monetária do BC, afirmou que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil somarão o patamar recorde de cerca de US$ 70bi este ano, o que representará um aumento de quase 45% na comparação com 2010 e (3) em JUL/11 o volume de vendas do comércio varejista subiu 7,1% na comparação com JUL/10.
 
Como fruto do aumento da renda e do baixo patamar do dólar em relação ao real, no primeiro semestre deste ano o número de turistas brasileiros nos EUA cresceu 28,1% na comparação com o mesmo período de 2010, perdendo somente para o crescimento dos turistas chineses, que foi de 32,3% na mesma base de comparação.
 
Já que o Brasil continua sem investir ''de verdade'' em ferrovias e hidrovias, o aumento médio do PIB de 4,4% ao ano, de 2002 a 2010, fez a procura por caminhões para transporte de cargas aumentar 12% ao ano no mesmo período.
 
''Sonhando'' com encomendas que devem somar US$ 400bi até 2020, oriunda especialmente de projetos na camada pré-sal, liderados na maior parte pela Petrobras, pelo menos 20 fornecedores chineses da cadeia de bens e serviços de petróleo desembarcam ainda em 2011 no Brasil. 

Política:
 
Após se reunir com Mantega, o ministro da Fazenda, o senador petista Delcídio do Amaral, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, afirmou que a polêmica entre Estados produtores e não produtores, municípios e União em torno da divisão dos royalties da camada pré-sal se encaminha para uma "solução salomônica", em que todos cederiam um pouco em suas posições.
 
Após assinar um termo que autoriza o início da construção do trecho norte do Rodoanel, que terá R$ 1,7bi de recursos federais, Dilma, se aproximando cada dia mais de Alckmin, o que certamente causa preocupação para os petistas mais radicais, elogiou sua relação com o governador de SP, ressaltando que ela é uma "parceria" de "princípio republicano".
 
Confirmando que ''não falta dinheiro, mas sim uma gestão competente'' dos recursos públicos, nos últimos nove anos, o governo federal, que tem defendido novas fontes de financiamento para a Saúde, contabilizou um orçamento paralelo de R$ 2,3bi que deveriam curar e prevenir doenças, mas escorreram pelo ralo da corrupção.
 
Diante da sequência de denuncias e da sua dificuldade de gerir a pasta, a situação do ministro do Turismo, Pedro Novais, está ficando mais difícil, segundo avaliação feita nos bastidores por cada vez mais integrantes do PMDB, partido ao qual Novais é filiado.

Crítica:
 
Ajudando, ainda como um passarinho que pega água com o bico para apagar o fogo de uma floresta, a melhorar o acesso à educação no Brasil, o Banco do Brasil, que oferece crédito educativo pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior há pouco mais de 1 ano, atingiu R$ 1bi em volume de operações beneficiando cerca de 25 mil alunos de graduação que financiam estudos em instituições não gratuitas pelo banco.
 
Superando de longe o Brasil (16,2 milhões de pessoas ou 8,5% da população) e já atingindo padrões africanos, nos EUA, em um momento em que a economia tenta sair da recessão, o número de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza alcançou a cifra recorde de 46,2 milhões em 2010, o que representa 15,1% da população.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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