R.B. 24/ABR/09 "Ordem no galinheiro"

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R.B.

"Ordem no galinheiro"

São Paulo, 24 de abril de 2009 (SEXTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve seguir em alta, com ''boas chances'' de fechar o mês próxima dos 48.000pts, principalmente caso Copom confirme as ''apostas'' de corte da Selic em até -1,5% na sua reunião da próxima semana.
- O DÓLAR pode cair, retomando sua ''trajetória natural'' após a alta do pregão anterior, influenciado pelas ''apostas'' nos bons fundamentos da economia brasileira e pelo ainda elevado patamar da taxa real de juros que, apesar dos últimos cortes da Selic, ainda é a maior do Planeta (cerca de 7,25%).

ONTEM
- BOVESPA 2,0%, já abriu em alta e, com baixo volume de negócios (R$ 3,8bi), manteve a trajetória positiva ao longo de todo pregão, apesar dos momentos de queda das bolsas de NY, impulsionada pela entrada de novos investidores, principalmente externos, diante de uma visão menos pessimista da economia brasileira frente à crise global.
- DÓLAR 0,9% à R$ 2,22, abriu em queda, para na mínima recuar -0,5%, porem passou a subir na parte da tarde, seguindo a instabilidade das bolsas de NY, pressionado por um inesperado e substancial fluxo de saída.
- Na ÁSIA, recuperando as perdas da véspera, JAPÃO 1,4%, impulsionada por ganhos nos papéis das montadoras, como Toyota (3,5%) e Honda (1,7%), diante das ''apostas'' de uma recuperação nas vendas globais, depois que o Goldman Sachs elevou a perspectiva do setor para "atrativo", CHINA 0,2%, sustentada pela presença dos ''caçadores de barganhas'' em ações de empresas de metais e de produtoras de carvão e CORÉIA 0,9%, beneficiadas pelas boas expectativas quanto aos resultados das empresas locais.
- Na EUROPA, seguindo a instabilidade das bolsas de NY, INGLATERRA -0,3%, FRANÇA -0,5% e ALEMANHA -1,2%, pressionadas pela queda das ações do setor farmacêutico e em meio a reações mistas aos resultados do Credit Suisse, cujas ações subiram 8,8%, e da ABB, cujas ações recuaram (-6,7%).
- Nos EUA, recuperando-se no final de mais um pregão marcado pela forte volatilidade, S&P 1,0%, DJ 0,8% e NASDAQ 0,4%, ainda beneficiadas por bons resultados apresentados pelo setor bancário, apesar da divulgação de dados negativos sobre o seguro-desemprego e sobre a venda de casas usadas.
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Economia:

Cobrando explicações de Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI, que afirmou que, se a desaceleração da economia continuar por muito tempo, até os bancos da América Latina vão carregar ''ativos tóxicos'', Mantega, ministro da Fazenda, ''garantiu'' que os bancos brasileiros estão sólidos e continuam tendo lucros elevados, principalmente porque o Brasil tem uma regulação muito mais rigorosa do que a maioria dos países.

Indicando que a Selic seguirá em queda, Meirelles, presidente do BC, afirmou que os bons fundamentos macroeconômicos do País, que são fruto da austera condução da política econômica harmonizada com a postura do governo de elevar o patamar de crescimento do País e aumentar a massa real de salários, permitem que o BC adote medidas anticíclicas na condução da política monetária.

Dando sinais de que as premissas da crise financeira mundial estão se distanciando cada vez mais da economia real brasileira, em MAR/09 (1) o volume de crédito disponível cresceu 1% na comparação com FEV/09 e atingiu o recorde histórico de R$ 1,2tri e (2) os juros bancários recuaram pelo quarto mês consecutivo e com insto a taxa média geral, incluindo pessoa física e jurídica, caiu para 39,2% ao ano, o que representa o menor patamar desde JUL/08.

Diante dos incentivos do governo, principalmente fiscais, e dos sinais de recuperação da economia interna, no inicio do segundo trimestre de 2009 o índice de confiança do empresário industrial ficou em 49,2pts, dois acima do resultado de JAN/09.

Confirmando mais uma vez que a inflação segue controlada e que o Copom pode continuar cortando a Selic, o IPC da terceira quadrissemana de ABR/09 ficou em 0,38%, resultado menor que na quadrissemana anterior (0,42%) e abaixo das ''apostas do mercado'' (0,45%).

- A Petrobrás subiu 2,3% e, também beneficiada pelo anuncio de mais duas descobertas de petróleo em blocos terrestres no Espírito Santo.
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Política:

Em uma artigo intitulado "A dama de ferro, os pés dentro do barro", o prestigiado jornal francês "Le Monde" afirma que a eventual eleição de Dilma à Presidência, em 2010, seria um acontecimento duplamente simbólico e lisonjeiro para a democracia brasileira, que teria uma mulher, pela primeira vez presidente, 8 anos depois da eleição de um operário.

Mostrando que Daniel Dantas não tem só ''amigos leais'' no STF, mas também no Congresso Nacional, após meses de investigação em torno da Operação Satiagraha, o relatório final da CPI dos Grampos livrou de indiciamento o banqueiro do grupo Opportunity.

Aumentando cada vez mais as chances de Palocci ser o candidato do PT ao governo de SP em 2010, Antonio Fernando de Souza, procurador-geral da República, enviou ao Supremo Tribunal Federal parecer favorável ao arquivamento da denúncia do suposto envolvimento do ex-ministro da Fazenda em irregularidades no pagamento pela coleta do lixo em Ribeirão Preto, no início da década.

Apenas 1 dia depois de bater-boca com o ministro Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, provando que seu ''colega de toga'' estava correto ao acusa-lo de politizar a justiça e coloca-la excessivamente na mídia, foi visitar Michel Temer, presidente da Câmara dos Deputados, ao qual afirmou, apesar de não ser sido questionado, que o tribunal está fazendo bem o seu trabalho e garantiu que não há crise institucional.
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Crítica:

Tentando colocar ''ordem no galinheiro'', ontem finalmente o Parlamento Europeu, com sinal verde dos governos dos países membros da UE, aprovou a criação de um registro de agências de classificação de risco, além de outras medidas para reforçar a vigilância destas entidades, que tem uma grande parcela de culpa pela atual crise financeira mundial por terem classificado, maliciosamente ou não, como grau de investimento vários fundos com ''ativos tóxicos''.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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