R.B. 5/JAN/17 "Milhas e milhas distante"



"Milhas e milhas distante"

São Paulo, 5 de janeiro de 2017 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, ainda realizando lucros recentes e prejudicada pelo recuo das commodities, porem deve-se ressaltar que o patamar é interessante para compras, diante das “apostas” de andamento das reformas e recuperação da economia tupiniquim e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a esperada piora do “humor” bolsa brasileira e recuperando uma pequena parte das fortes perdas registradas no pregão anterior.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -0,4%, devolvendo uma pequena parte dos fortes lucros auferidos no pregão anterior (3,7%), influenciada por um cenário externo mais fraco e com destaque negativo para as ações da Vale (-1,9%), diante do recuo dos preços do minério de ferro e (2) o DÓLAR caiu -1,4% à R$ 3,22, para fechar o pregão no menor patamar desde NOV/16, diante da redução das “apostas” de alta dos juros nos EUA após a divulgação da ata da ultima reunião do FED (“BC” norte-americano).

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 2,5% e China 0,7%, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais no dia anterior e também impulsionadas pela divulgação de dados melhores do que o esperado do setor manufatureiro japonês, (2) da EUROPA, sem direção única, com baixo volume de negócios e perto da estabilidade, Inglaterra 0,2%, França -0,1% e Alemanha 0,1%, divididas entre as consequências e dos motivos da divulgação de dados de inflação abaixo do esperado na região e (3) dos EUA, S&P 0,6%, DJ 0,3% e NASDAQ 0,9%, com destaques de alta para as grandes montadoras, como GM (5,5%) e Ford (4,6%), que divulgaram resultados melhores que o esperado e que devem ser as principais beneficiadas pelas políticas protecionistas do novo presidente Trump.

Na ata divulgada ontem, ficou claro que quase todos os membros do FED (“BC” dos EUA) entenderam que a economia pode crescer mais rapidamente por causa do estímulo fiscal prometido pelo novo presidente Trump, porem ressaltam que tais mudanças poderiam impulsionar a inflação.

Principalmente por conta da saída de investidores, que se assustaram com as crises política e financeira, no ano passado, mesmo com o recorde histórico no superávit comercial (US$ 47,3bi), o fluxo cambial para o Brasil ficou negativo em US$ -4,4bi, revertendo um saldo positivo de R$ 9,4bi apurado no ano anterior.

Com o setor um pouco mais otimista, após fechar 2016 com uma queda de -20,2% nas vendas, ontem a associação de concessionários de veículos anunciou que espera que em 2017 as vendas de veículos novos no país cresçam 2,4% na comparação com 2016.

Apresentando uma ótima ideia, 7 grandes empresas brasileiras decidiram patrocinar a elaboração de uma nova proposta de reforma tributária, que teria como principal diferença a eliminação de 5 tributos ao longo de 10 anos e a criação de um único imposto, chamado inicialmente de Imposto Geral sobre o Consumo.

-    Certamente ainda distante da recuperação e provavelmente vulnerável a novas e maiores quedas neste ano de 2017, em 2016 o preço médio real (que desconta a inflação) dos imóveis no Brasil caiu apenas -5,48% na comparação com 2015.

Finalmente “acordando para a realidade” da falência da previdência publica tupiniquim, nos 11 primeiros meses de 2016, mesmo com a crise financeira e o aumento do desemprego, o volume de recursos aplicados por brasileiros em previdência privada cresceu 9,6% na comparação com 2015, porem, apesar da expansão, estes planos ainda atingem apenas 6% da população.

Ainda “milhas e milhas distante” do todo da lista, que tem França (83,7 milhões), EUA (70 milhões) e Espanha (64,9 milhões), e também perdendo de países bem menos expressivos, como Marrocos (10 milhões), Coreia do Sul (14,2 milhões) e África do Sul (9,5 milhões), em 2016 o número de turistas que vieram ao Brasil, mesmo diante das Olimpíadas, cresceu apenas 4,8% na comparação com 2015 e atingiu o patamar recorde de 6,6 milhões de pessoas.

“Apostando” na recuperação da economia tupiniquim, (1) a chinesa DiDi Chuxing investiu cerca de R$ 322 milhões na start-up brasileira 99 (antiga 99Táxis) e (2) a Capital Realty, empresa de condomínios logísticos, investiu R$ 20 milhões para expandir um centro de distribuição em Curitiba para atender a Bosch a partir deste mês.

-    A Usiminas recuou -6,1%, diante de “rumores” de que a empresa vai anunciar um reajuste de preços dos seus produtos.
-    A Petrobrás caiu -0,1%, realizando uma minúscula parte dos fortes ganhos do pregão anterior (5,7%), porem hoje a empresa pode se beneficiar por “rumores” de anúncio de aumento da gasolina ainda esta semana e pela confirmação da venda de 100% da Petrobrás Chile Distribuición para a Southern Cross Group por US$ 470 milhões.

Política:

Apesar de “garantirem” que a tendência é que os 46 deputados do PSDB apoiem a candidatura de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara, os parlamentares tucanos Antonio Imbassahy e Ricardo Tripoli alertaram que é preciso que ele oficialize o quanto antes sua intenção de disputar a reeleição.

Ajudando as “nobres autoridades tupiniquins” a seguirem se fartando publico como se privado fosse, a justiça de MG trava desde JUN/16 o acesso aos dados referentes ao uso de aeronaves do Estado por Fernando Pimentel, governador petista de MG que no começo da semana usou o helicóptero do Estado para buscar o filho bêbado em uma festa de Ano Novo.

Confirmando mais uma vez que “o Brasil é uma terra sem lei”, apenas 4 dias após deixar o cargo, Neuri Carlos Persch, ex-prefeito de uma cidade em Rondônia, foi morto a tiros enquanto tomava chimarrão em frente à casa da mãe com familiares e obviamente nenhum suspeito foi preso.

Como ninguém tem coragem de assumir sua responsabilidade, a chacina no presídio de Manaus abriu também uma crise entre o governo estadual e a Prefeitura da cidade, liderados por rivais políticos locais, já que o prefeito tucano Arthur Virgílio queixa-se de receber informações desencontradas do Estado e afirma que a estrutura colocada à disposição para conter a crise foi recusada pelo governador José Melo, do Pros.

Unindo forças, o deputado Jovair Arantes, do PTB, e Rogério Rosso, do PSD, fizeram uma espécie de acordo velado no qual quem estiver mais bem posicionado às vésperas da disputa pela presidência da Câmara receberá o apoio do outro e será candidato único do grupo.

Como sabe que a aprovação da reforma da Previdência é fundamental para tirar o Brasil do atoleiro econômico, o Planalto fala que, para acelerar a tramitação de sua proposta, vai repetir a operação de guerra que foi montada na PEC do teto de gastos e colocar a equipe econômica à disposição dos parlamentares para exortá-los a defender as mudanças a seus eleitores.

-    Nas contas tanto de alguns aliados de Rodrigo Maia quanto nas de seus rivais, se o referido atual presidente da Câmara não conseguir a reeleição no primeiro turno corre o risco de perder no segundo.
-    Com medo de perder poder, parte do PMDB quer melar a indicação do tucano Antonio Imbassahy para o ministério da articulação política de Temer ressaltando que é tanto cargo importante com o PSDB.
-    Trabalhando para o fracasso do Brasil, os bandidos do MST já avisarão que farão uma série de protestos espalhados pelo país para pressionar os prefeitos a se posicionarem contra a reforma da Previdência.

Crítica:

Mostrando que no mais alto escalão corporativo sempre existe uma nova chance para o executivo que quebra uma empresa mas que fala bonito, Amos Genish, ex-presidente da Vivo, assumiu ontem o cargo de COO do grupo de mídia francês Vivendi, que é um dos maiores grupos de mídia do mundo.

Ensinando ao Brasil como deve ser tratada uma empresa de bandidos, ontem a justiça do Equador proibiu o Estado de contratar a Odebrecht, que por lá também é investigada por suspeita de pagamento de US$ 33,5 milhões em subornos a funcionários públicos equatorianos, para qualquer obra no país.

É preciso ressaltar que, enquanto outros países vêm proibindo contratos com a Odebrecht, diante da revelação pelo Departamento de Justiça norte-americano de irregularidades, as empresas do grupo continuam autorizadas a ser contratadas pelo poder público no Brasil.

Sim, é dever do Estado, em qualquer país civilizado do mundo, a manutenção da integridade física dos seus presos, porem é importante dizer que no caso de Manaus as mortes foram causadas por brigas entre facções, o que torna questionável a necessidade de pagamento de indenização para as famílias das vitimas.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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