R.B. 31/AGO/11 ''Sem nenhuma vergonha na cara''


R.B.

"Sem nenhuma vergonha na cara"

 

São Paulo, 31 de agosto de 2011 (QUARTA-FEIRA).


Mercados:

 

HOJE

-    A BOVESPA pode seguir em alta, para fechar em território positivo pelo quinto pregão consecutivo, ainda acompanhando (1) a melhora do ''humor'' nas demais bolsas mundiais, (2) a valorização das commodities e (3) o aumento das ''apostas'' de redução da taxa básica de juros na reunião do Copom que termina hoje.

-    O DÓLAR deve voltar a cair, para fechar em território negativo pelo quarto pregão consecutivo, já que mesmo que o Copom reduza a Selic, o Brasil continuará pagando a maior taxa real de juros do mundo.

 

ONTEM

-    BOVESPA 1,0%, abriu em queda, para na mínima recuar -0,7%, porem, seguindo a melhora do ''humor'' nas bolsas de NY, passou a subir ainda na parte da manhã, para fechar o dia acima dos 55.000pts (aos 55.385pts), ainda recuperando perdas recentes.

-    DÓLAR -0,2% à R$ 1,59, já abriu ''de lado'' e, dividido entre a melhora do ''humor'' na Bovespa e o aumento das ''apostas'' de redução da Selic, manteve a trajetória indefinida ao longo de todo pregão.

-    Na ÁSIA, novamente sem uma tendência única, JAPÃO 1,2%, com destaques de alta para as exportadoras do setor de tecnologia, como Sony (3,5%), Toshiba (2,1%) e Hitachi (1,2%), diante da desvalorização da moeda local (o iene) frente ao dólar e de ''rumores'' de que as 3 empresas fecharam um acordo básico para uma joint venture na fabricação de pequenas telas de LCD, CHINA -0,4%, ainda sob impacto da decisão do BC local de exigir que os bancos mantenham mais tipos de depósitos em reserva e CORÉIA 0,8%, a quarta alta consecutiva, impulsionada por compras de investidores estrangeiros.

-    Na EUROPA, também sem uma tendência única, INGLATERRA 2,7%, FRANÇA 0,1% e ALEMANHA -0,5%, recebendo suporte do avanço nos papéis ligados aos setores financeiro e de matérias-primas, mas pressionados por indicadores fracos sobre a economia européia e dos EUA.

-    Nos EUA, recuperando as perdas da abertura, causada pelo anuncio de queda da confiança do consumidor para o menor patamar em mais de 2 anos, S&P 0,2%, DJ 0,2% e NASDAQ 0,5%, beneficiadas pelo anuncio de que o Fed (''BC'' local) teria discutido em reunião a possibilidade de um novo pacote de estímulo econômico.


Economia:
 

Hoje, após o fechamento do pregão, o Copom anuncia a sua decisão sobre a taxa básica de juros, atualmente em 12,5% e, diante da elevação da meta de superávit primário do governo central, mais de 50% do ''mercado já aposta'' de que a Selic pode ser reduzida em -0,25%.

 

Pressionando o Copom a reduzir a Selic na reunião que termina hoje, (1) Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, afirmou que a situação fiscal atual permite uma queda da Selic, (2) a presidenta Dilma afirmou que a melhor defesa contra a crise é o mercado interno, ressaltando que a redução da taxa básica de juros é necessária para o crescimento do Brasil e (3) Mantega, ministro da Fazenda, confirmou que a elevação da meta de superávit primário do governo central tem o objetivo de dar mais espaço para o BC usar os juros como arma contra uma deterioração da crise econômica mundial, que pode afetar a economia brasileira.

 

Confirmando, ao menos em tese, a ótima qualidade da equipe econômica do Brasil, Tombini, presidente do BC brasileiro, está em sexto lugar em um ranking dos presidentes de BCs de todos os países de mundo elaborado pela revista Global Finance, superando inclusive Bernanke, o prestigiado e poderoso presidente do Fed (''BC'' dos EUA).

 

Diante do aumento da taxa de juros e da redução da oferta de crédito, em JUL/11 a inadimplência das empresas teve alta de 4,5% na comparação com JUN/11 e de 16,1% na comparação com JUL/10.

 

''Desinflando a bolha'', que ao que tudo indica não deve estourar, (1) no primeiro semestre deste ano as vendas de imóveis novos residenciais na capital paulista foram -31,3% menores que no mesmo período de 2010 e (2) em JUL/11 o preço do metro quadrado de área útil dos imóveis novos residenciais na capital paulista subiu 8,6% na comparação com JUL/10, contra uma alta de 27,7% na comparação entre DEZ/09 e DEZ/10.

 

Trocando mão de obra capacitada por funcionários em formação, já que a média salarial dos contratados (R$ 2,5mil) é quase a metade da média salarial dos demitidos (R$ 4,0mil), nos 6 primeiros meses deste ano os bancos brasileiros criaram 11.978 empregos, o que é resultado de 30.537 admissões e 18.559 desligamentos.

 

Desdenhando os sinais de desaceleração da economia, a indústria brasileira de cartões, principalmente diante do baixo percentual de bancarização dos brasileiros, prevê para 2011 um crescimento de até 23% na comparação com 2010.

 

Tentando reduzir o enorme gargalo da infraestrutura brasileira, as companhias de terminais de contêineres brasileiras devem investir US$ 2,5bi até 2015, recursos que serão destinados a obras de expansão dos terminais, compra de equipamentos, tecnologia para controle operacional interno e capacitação de mão de obra.


Política:
 
''Sem nenhuma vergonha na cara'' e protegidos pelo anonimato do voto secreto, ontem os ''nobres'' deputados federais absolveram a deputada Jaqueline Roriz da acusação de quebra de decoro parlamentar por ser filmada recebendo propina, o que obviamente representou um reforço à impunidade e uma demonstração de corporativismo.
 
Ajudando a perpetuar a falta de ''vergonha na cara'' dos ''nobres'' parlamentares, a Emenda constitucional que acaba com o voto secreto no Congresso Nacional, inclusive para cassação de mandatos, está engavetada desde 2006 na Câmara.
 
Com o objetivo de desestabilizar o governo Dilma, (1) o PSDB entrou com representação na Procuradoria Geral da República contra a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, acusando a mesma de prática de crime de peculato e de improbidade administrativa na sua demissão de Itaipu e (2)o PPS apresentou denúncia contra o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na Comissão de Ética Pública da Presidência, acusando o mesmo de ter usado aeronaves de empresas privadas que fazem obras financiadas pelo governo federal.
 
Apoiados pelo presidente da Câmara, o petista Marco Maia, os deputados da base aliada decidiram enfrentar a presidenta Dilma e manter a votação, no fim de SET/11, do projeto que destina recursos da União, dos Estados e dos municípios para a saúde, apelidada de Emenda 29.

Crítica:
 
Acabando com mais de 40 anos de opressão e ditadura, provavelmente para instalar outro regime parecido, a revolta popular na Líbia que derrubou o ditador Muammar Gaddafi já causou cerca de 50.000 mortes.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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