R.B. 6/FEV/09 "Diferente e confortável"

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R.B.

"Diferente e confortável"

São Paulo, 6 de fevereiro de 2009 (SEXTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve voltar a subir, acompanhando a melhora do ''humor'' nas principais bolsas do mundo e impulsionada pela volta dos investidores estrangeiros, que cada dia mais corroboram com a tese de que o Brasil sairá fortalecido quando a economia internacional retomar a normalidade.
- O DÓLAR pode seguir em queda, com ''boas chances'' de permanecer abaixo dos R$ 2,30 até o final do ano, seguindo os mesmos motivos que devem levar a melhora do ''humor'' nas bolsas mundiais e o retorno de parte do capital estrangeiro que "escapou" por 8 meses consecutivos do mercado acionário brasileiro.

ONTEM
- BOVESPA 2,4%, abriu ''de lado'', para na mínima recuar -0,7%, porem, seguindo a recuperação das bolsas de NY, passou a subir ainda na parte da manhã, puxada principalmente pela disparada das ações da Vale (4,3%), junto com os papéis de siderúrgicas importantes, como Usiminas (3,6%), CSN (3,3%) e Gerdau (2,0%), diante de ''rumores'' sobre o aumento da demanda chinesa.
- DÓLAR -0,9% à R$ 2,28, já abriu em queda e, apensar da elevação do risco-Brasil (1,9%), manteve a trajetória descendente ao longo de todo pregão, seguindo a melhora do ''humor'' nas demais bolsas do mundo.
- Na ÁSIA, influenciadas pelo mau desempenho de Wall Street no dia anterior, JAPÃO 1,1%, pressionada por perdas no setor financeiro, como Mitsubishi UFJ Financial Group (-1,6%) e Sumitomo Mitsui Financial Group (-2,8%), CHINA -0,5%, diante de preocupações sobre a economia doméstica após a divulgação de fracos resultados corporativos e CORÉIA -1,5%, abaixo da marca psicológica de 1.200pts, pressionada principalmente por ações de empresas do setor financeiro, como KB Financial Group (-5,1%) e a corretora Mirae Asset Securities (-3,9%).
- Na EUROPA, com pouca volatilidade e sem uma tendência única, INGLATERRA 0,1%, FRANÇA -0,1% e ALEMANHA 0,4%, divididas entre os resultados negativos de Swiss Re (-28,0%), Zurich Financial (-3,6) e Unilever (-5,9%) e a decisão do BC da Inglaterra reduzir a taxa básica de juros em -0,5%, para 1%, mantendo o nível mais baixo em 300 anos.
- Nos EUA, revertendo uma abertura negativa, S&P 1,6%, DJ 1,3% e NASDAQ 2,1%, com os investidores deixando ''de lado'' o indicador do mercado de trabalho divulgado e se concentrando no resultado melhor que o esperado da rede varejista Wal-Mart, além do inesperado ganho de produtividade do trabalhador americano no último trimestre de 2008.
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Economia:

Mostrando que ainda tem ''birra'' com certos agentes da economia, Lula afirmou que os especuladores ''tomaram na cabeça'' com a crise financeira que afeta o mundo, porem ''garantiu'' que não faltará dinheiro para financiamentos no país e pediu a empresários que continuem a investir, já que segundo o petista a atual situação deve ser encarada como uma oportunidade para que o país saia fortalecido quando a economia internacional retomar a normalidade.

Ressaltando a necessidade e a urgência de restaurar a saúde dos setores financeiros para impulsionar a demanda e sustentar uma recuperação duradoura da atividade global, o FMI indicou, em um relatório elaborado para um encontro preparatório para a reunião do G20, programada para ABR/09, em Londres, que os governos precisam adotar medidas mais agressivas e coordenadas para combater a crise econômica mundial.

Com os empresários brasileiros, apesar das ''lições'' da atual crise externa e de casos como o do fundo Madoff, ainda confiando mais nos ''bancos gringos'', em 2008 os bancos estrangeiros foram responsáveis pela grande maioria das operações de fusões e aquisições fechadas no Brasil, com destaques para o Goldman Sachs (R$ 51bi), JP Morgan (R$ 48,8bi) e Credit Suisse (R$ 44,7bi).

Projetando uma redução da demanda externa, o IBGE acredita que a safra agrícola de 2009, também afetada por problemas climáticos, será 7,6% menor que no ano passado, apesar da expectativa de aumento de 0,8% na área plantada.

Mostrando como é ''diferente e confortável'' a situação dos bancos brasileiros, em 2008 o lucro liquido do banco Santander em todo mundo foi -22% menor que em 2007, porem no Brasil os ganhos desta instituição cresceram 31% na mesma base de comparação.

- O Banco do Brasil subiu 3,1% e, após o fechamento do pregão, anunciou que iniciou tratativas com o governo do Espírito Santo para aquisição do controle acionário do Banestes.
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Política:

Dando seqüência a sua ''fúria arrecadatória'', Serra, alem de autorizar o aumento das tarifas de metro e trem em SP, aprovou com facilidade na Assembléia Legislativa do Estado, dominada pelos tucanos e por seus aliados, um projeto de Lei que permite a criação de pedágios urbanos.

Após a notícia de que construiu um castelo avaliado em até R$ 25mi, foi aberto um caminho para a descoberta de uma série de irregularidades envolvendo as empresas do corregedor da Câmara, o democrata Edmar Moreira, que ao que tudo indica perderá o cargo e será expulso do DEM.

Com o título "Brasil, um gigante desperta", um encarte publicitário da revista norte-americana "Foreign Affairs", do primeiro bimestre deste ano, traz 10 páginas onde destaca o avanço do país na área econômica, antes da crise, e apresenta Dilma, a chefe da Casa Civil, como virtual candidata à Presidência em 2010.

Ainda inconformados com a derrota, os aliados do governador Serra na Câmara Federal querem rever a reeleição de José Aníbal à liderança do partido na Casa, que obviamente teve o apoio dos deputados próximos ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que aliás hoje se reunirá com Lula.
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Crítica:

Seguindo o ''velho ditado'' de ''pirão pouco o meu primeiro'', a atual crise econômica mundial tem provocado um forte crescimento da xenofobia na Europa, com governos e nacionalistas pressionando empresários que costumam contratar trabalhadores de outros países, inclusive de países vizinhos e participantes do bloco econômico.

Como não se pode falar mal do ''padrão'', agência de classificação de risco norte-americana Moody's, apesar de ''avisar'' que a condição financeira dos EUA deve piorar consideravelmente nos próximos 2 anos, faz questão de ressaltar que não irá rebaixar sua ''nota'' para o Tesouro dos EUA, que segue em AAA, a mais alta da sua escala.

Com ''o roto reclamando do esfarrapado'', o Banco Central Europeu afirmou que considera o protecionismo uma ameaça "muito importante", ressaltando que medidas neste sentido, como a polêmica cláusula "Buy American" adotada pelo pacote de Obama, são exatamente o que não deveria ser feito nas atuais circunstâncias.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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