R.B. 11/FEV/09 ''Inverter a velha ordem''

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R.B.

"Inverter a velha ordem"

São Paulo, 11 de fevereiro de 2009 (QUARTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve subir, seguindo a provável recuperação das bolsas de NY e influenciada pelas ''apostas'', cada dia maiores, de que a economia brasileira sairá ''mais importante e mais fortalecida'' da atual crise que abala os mercados mundiais.
- O DÓLAR pode cair, retomando sua ''trajetória natural'' após o ''ajuste técnico'' do pregão anterior, influenciado pelos mesmos motivos que devem levar à alta da Bovespa e também pelo fluxo positivo de recursos externos.

ONTEM
- BOVESPA -2,1%, abriu em alta, para na máxima avançar 1,6%, porem, seguindo a forte piora do ''humor'' nas bolsas de NY, passou a cair na parte da tarde, com bom volume de negócios (5,5bi) e realizando lucros mesmo diante da aprovação pelo Senado dos EUA do pacote de Obama de socorro a economia, já que ainda não há uma definição clara do real impacto dessas medidas sobre economia.
- DÓLAR 2,1% à R$ 2,28, abriu em queda, para na mínima atingir R$ 2,24, porem, seguindo a piora do ''humor'' das bolsas mundiais, passou a subir na parte da tarde, também influenciado pela forte elevação do risco-Brasil (4,7%).
- Na ÁSIA, novamente sem uma tendência única, JAPÃO -03%, após um pregão marcado pela volatilidade e com destaques de queda para ações de empresas de transporte marítimo, que realizaram lucros recentes, CHINA 1,8%, a terceira alta consecutiva, ainda impulsionada pelas ''esperanças'' de novas medidas de apoio à economia por parte do governo local e CORÉIA -0,3%, diante da cautela dos investidores em relação ao plano de socorro aos bancos dos EUA.
- Na EUROPA, em meio às dúvidas dos investidores em relação à proposta do governo Obama para socorrer o setor financeiro dos EUA, INGLATERRA -2,2%, FRANÇA -3,6% e ALEMANHA -3,5%, pressionadas pelo fraco desempenho das ações de mineradoras e de empresas do setor petrolífero, como Xstrata (-8,8%), BHP (-4,9%), Total (-3,6%) e Eni (-3,0%).
- Nos EUA, diante da constatação de que, após a aprovação do pacote de socorro à economia no Senado, Obama não pode fazer mais muita coisa para tirar o país da recessão, S&P -4,9%, DJ -4,6% e NASDAQ -4,2%, com o noticiário corporativo contribuindo para piorar o humor dos investidores, já que o banco UBS reportou o maior prejuízo de sua história e a montadora GM revelou que deve cortar 10 mil empregos em suas unidades espalhadas pelo globo.
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Economia:

''Alertando'' que pode cortar a verba para o batom de Dilma e para seu corte de semanal de unha, Lula ''garantiu'' que não haverá cortes do PAC por conta da crise econômica, já que segundo ele o programa é a segurança do desenvolvimento no Brasil.

Ressaltando que já vê uma melhora depois dos problemas enfrentados até o final do ano passado, porem tomando novas medidas para afastar a crise externa da economia brasileira, ontem o BNDES anunciou a ampliação das suas linhas de crédito com juros atrelados à Taxa e Juros do Tesouro Nacional, de 8,75% ao ano, que são destinadas a exportações, compra de ônibus e caminhões, aquisição de máquinas e equipamentos, capital de giro e empréstimo-ponte.

Cada vez mais certo de que o pior já passou, Jackson Schneider, presidente da associação das montadoras brasileiras (Anfavea), afirmou que as mudanças para concessão de crédito que o BNDES anunciou, como a criação de uma linha especial para a compra de ônibus e caminhões, são adequadas e podem ajudar a indústria a retomar o ritmo registrado antes do agravamento da crise financeira.

Criticando veementemente as medidas protecionistas anunciadas por países desenvolvidos em meio à crise econômica mundial, Celso Amorim, ministro brasileiro das Relações Exteriores, ressaltou que alastrar o protecionismo é um "veneno" que prejudica países em desenvolvimento como o Brasil e que este é o momento para aprofundar nossas relações na América Latina, aprofundar a integração, continuar expandindo o comércio, mas também não descuidar do comércio com os países ricos.

Ligeiramente acima do esperado (0,40%), o IGP-M, pressionado pelos preços por atacado, apresentou alta de 0,42% na primeira prévia de FEV/09, contra deflação de -0,31% no mesmo período de JAN/09, acumulando com isto uma variação negativa de -0,02% em 2009 e uma inflação de 8,03% nos últimos 12 meses.
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Política:

Já pensando em 2010, o PT, com o objetivo de aproximar Dilma dos partidos aliados e dos movimentos sociais, vai criar uma agenda específica para a chefe da Casa Civil que, logo após o carnaval, começará a participar de eventos nos fins de semana fora da agenda de governo.

Como o ministro Joaquim Barbosa se declarou impedido de participar do julgamento, ficou para o dia 19/FEV/09 a retomada do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral do pedido de cassação do mandato do governador Jackson Lago, do Maranhão, acusado de abuso de poder econômico e de captação ilegal de votos.

Tentando reduzir a ''farra'' com dinheiro publico, a MP da Filantropia, que anistiava instituições filantrópicas suspeitas de irregularidades, foi limada da agenda de votações da Câmara, já que um parecer do deputado Ricardo Barros, do PP do Paraná, considerou que a proposta não era urgente e nem relevante.

Após um longo aconselhamento com o ''mestre'' FHC, que ''alertou'' que Lula quer turbinar a candidatura de Dilma e que ela ocupa cada vez mais espaço na mídia participando de cerimônias e eventos públicos do governo federal, deputados tucanos acreditam ainda mais na necessidade de o PSDB lançar o quanto antes o nome do candidato da sigla que disputará a sucessão presidencial em 2010.
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Crítica:

Começando a ''inverter a velha ordem'' da economia mundial, em JAN/09 a China, pela primeira vez na história, foi o principal mercado automobilístico mundial, com as vendas locais superando em mais de 12% as vendas nos EUA, que aliás atualmente passa por uma de suas piores crises financeiras.

Como um estudante que ''jogou fora e queimou'' todas as cartilhas que tinha sobre neoliberalismo, que pregava o livre mercado e a iniciativa privada com o mínimo possível de interferência do Estado, Obama, durante seus discursos em defesa do seu pacote de socorro à economia norte-americana, ressalto inúmeras vezes e veementemente que só o Estado é capaz de tomar medidas para tirar os EUA do ''buraco''.

Como um importante passo em direção da PAZ mundial, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente ultraconservador do Irã, deu uma resposta explícita aos acenos de Obama e, abrindo as portas para a retomada do diálogo com os EUA, afirmou que sua nação está pronta para manter conversações baseadas no respeito mútuo e sob uma atmosfera equilibrada.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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